Recursos


De Itália

Como acontece com outros jornais, o sítio do Corriere della Sera tem, entre outros, um bom dicionário de língua italiana e uma enciclopédia, La Rizzoli Larousse. Para ver aqui.

Queiroz, Queirós


Lá isso é verdade


      Carlos Queiroz, o seleccionador nacional, nasceu em Nampula a 1 de Março de 1953. O leitor não sabia? Então, ao contrário do que julga, não é culto. Adiante. Por vezes lê-se que os indivíduos cujo nome foi registado antes do acordo ortográfico de 1945 podem usar este apelido com a forma então vigente: Queiroz. Ora, terá o pai de Carlos Queiroz registado o filho antes de 1945? Não me parece, não é possível registar nascituros. E oito ou nove anos antes…
      Quase tudo o que se refere à ortografia dos nomes próprios gera polémica, bem sei. Não me vou eximir a ela. Sei que há professores que corrigem os seus alunos quando estes escrevem «Eça de Queiroz». Que é «Queirós», de acordo com a ortografia actual, argumentam. Bem, então parece que a regra tem esta excepção implícita: os indivíduos cujo nome foi registado antes do acordo ortográfico de 1945 podem usar este apelido; se já morreram, podem escrever-se conforme à ortografia em vigor. É isso? Felizmente, a Fundação Eça de Queiroz não acatou estas pseudo-regras. E não tenho notícia de alguém pretender corrigir o nome do seleccionador…

Actualização em 13.09.2008


      «Queiroz no bilhete de identidade. O sobrenome do seleccionador nacional criou sempre muita confusão quanto à forma como se escreve. Nos jornais uns escrevem Queiroz [,] outros Queirós, na realidade no bilhete de identidade está escrito Carlos Queiroz» («África espalhada pela casa», Diário de Notícias/DN Sport, 12.09.2008, p. 24).

Ortografia: «ibero-americano»

Distracções

«O autor de Cem anos de solidão está em Monterrey, capital do estado de Nuevo León, Norte do México, para participar na 7.a edição dos prémios atribuídos pela Cementos de México (Cemex) e a Fundación Nuevo Periodismo Iberoamericano (FNPI) nas categorias de texto, fotografia e carreira aos mais destacados jornalistas iberoamericanos» («Gabriel García Márquez critica imprensa escrita», Diário de Notícias, 3.09.2008, p. 62). «Jornalistas iberoamericanos»? Só se for um erro de simpatia. Em espanhol é que é iberoamericano, em português é ibero-americano. Regista o Vocabulário da Língua Portuguesa (1966), de Rebelo Gonçalves, na página 541: «ibero-americano, adj. V. afro-brasileiro.» E na página 37: «afro-brasileiro, adj. Flexs.: afro-brasileira, afro-brasileiros e afro-brasileiras. Tal como neste caso, são invariáveis no primeiro elemento todos os compostos de estrutura análoga.»

Ortografia: «videoarbitragem». Bisesdrúxulas

Não recues tanto

      Um leitor, Rui Pires, pergunta-me se está correcta a palavra «vídeoarbitragem». Em termos de composição, está correcto, pois o elemento antepositivo video- não leva hífen quando se junta a outro elemento. O acento, contudo, está incorrecto. Nunca o acento gráfico (e a sílaba tónica) pode recuar para lá da pré-antepenúltima sílaba. E esta já é uma excepção à designada «janela de três sílabas». Quando a tónica recai na pré-antepenúltima, designamos o vocábulo por bisesdrúxulo, sobredáctilo ou sobresdrúxulo, o que ocorre em sequências fonéticas com verbo mais pronome clítico (e também, mas de forma irregular, em palavras plenas na escrita e na oralidade: espécimenes, júniores, séniores, etc.). Por exemplo, tomávamo-lo. Também em espanhol há esta designação, e como exemplos: cómpratelo, llévatelo, póngasela, etc.

Revisão II

Frasicida

Gostava de ter uma rubrica sobre as frases que poderiam existir se eu não estivesse lá para as matar à nascença. Mas não posso, claro. A antológica de ontem seria esta: «“Pelo menos um outro atleta merecia ter vindo mais cedo”, ainda acrescentou, sem se referir a quem.» «Sem se referir a quem»? Não foi referida, não vingou. Ah, este texto soa-me, já li isto em qualquer lado…

Selecção lexical

Muito bem

«Havia receios de que o furacão Gustav trouxesse danos catastróficos, mas depois de dois milhões de pessoas terem sido retirados da costa do golfo do México — a maior evacuação da história dos Estados Unidos —, o furacão perdeu intensidade e os estragos que já fez são considerados “mínimos”» («Gustav inunda cidades e faz nove mortos mas em Nova Orleães respira-se de alívio», Joana Azevedo Viana, Público, 3.09.2008, p. 11). Como vêem, nem todos os jornalistas caem nos erros já muito debatidos. Muito bem: as pessoas foram retiradas, não evacuadas.
Ter escrito «golfo do México» (que é o que está correcto) em vez de «Golfo do México», como todos os dias se lê, é de celebrar com fogo-de-artifício e fanfarra.

«Sedeado» e «sediado»

Paz universal

Na mesma edição, a de ontem, podia ler-se no Diário de Notícias «sedeado» e «sediado». É o convívio pacífico e acrítico de tudo ou o mero desleixo ou a falta de diálogo entre os revisores? O leitor que decida.
«Sabe-se que há grupos de sobrevivência a preparar-se para 2012 nos Estados Unidos [,] Canadá e Holanda mas, à excepção de gurus como o escritor Patrick Geryl (líder de um grupo estrategicamente sediado na África do Sul), poucos dão a cara, preferindo abraçar a causa de forma discreta, aparentemente com medo de serem ridicularizados» (Grupos preparam-se», Isilda Sanches, Diário de Notícias, 3.09.2008, p. 33).
«O actual director de produtos da Google, sedeada em Londres, salienta que não se trata de concorrer com a Microsoft e até nem tem “expectativas de quota de mercado” quando o Internet Explorer tem mais de 70% e o Firefox 20% de quota do mercado dos browsers» («Google lança navegador de Internet», Pedro Fonseca, Diário de Notícias, 3.09.2008, p. 60).

Recursos

Biblioteca de Traducciones Españolas

Sítio em que se disponibilizam traduções marcantes para espanhol de obras de várias línguas. Por aqui, se faz favor.

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