Símbolos

Só se for na China

«Fez 9,69s mas, mais do que a marca que o torna o 19.º recordista do hectómetro, o jamaicano impressionou pela forma tranquila como a atingiu» («Bolt supersónico até a travar», Rui Hortelão, Diário de Notícias, 17.08.2008, p. 45). Talvez Rui Hortelão não o possa fazer em Pequim, mas em Lisboa o editor e o revisor da peça podem, se quiserem, saber se este símbolo fica sem espaço depois do valor numérico. E não fica. Deve ser confusão com isto, que está certo: «A Argentina defrontou a Holanda e Lionel Messi voltou a marcar (14’), tendo Bakkal empatado (36’)» («Argentina e Brasil medem forças na meia-final», Diário de Notícias, 17.08.2008, p. 49).

Erradamente «arreado»

Reincidentes

«Também a Praia de Olhos d’Água, em Albufeira, viu arreado na quinta-feira o símbolo de qualidade balnear, mas neste caso apenas até serem conhecidos os resultados das próximas análises. […] A praia da Baleia, no concelho de Mafra, perdeu ontem definitivamente a Bandeira Azul por diminuição da qualidade da água, anunciou a entidade que atribui o galardão e fiscaliza as condições das praias» («Praia da Baleia perde bandeira azul», Diário de Notícias, 20.08.2008, p. 10). Os editores e os revisores não lêem o jornal no dia seguinte? Deviam. A bandeira continua ornamentada. Ora é «Bandeira Azul», ora «bandeira azul». No mesmo texto… Ora «praia» (da Baleia), ora «Praia» (de Olhos d’Água). Pobre leitor…

Tradução

Aguanta firme

Na redacção do Record, por cima de cada sanita da casa de banho dos homens há (que luxo!) um dispensador de folhas de papel para cobrir o assento da sanita. Como a engenhoca é espanhola, a indicação está na língua de Cervantes: Presione hacia abajo. Pressionei, só para ver. Papel vegetal. Muito higiénico. Contudo, não é para escrever de assuntos escatológicos que serve este texto. Serve, isso sim, para lamentar que as traduções de espanhol que vou vendo sejam tão, tão más, quando os instrumentos (e a sensibilidade? e o discernimento? e o estudo? e o empenho? e o esforço? e a cultura geral?) abundam. Claro que sempre dá para escolher um menos mau entre os 10 milhões de tradutores do espanhol que vivem no território.

Ortografia: «porto-santense»

Espera lá

«Em declarações à Lusa, o presidente do município portossantense, Roberto Silva, garantiu que o grupo Plaza Prestige, que inclui o futebolista, mantém a aposta no projecto, tendo já adquirido alguns terrenos e “continua a comprar” na zona da Calheta» («Cristiano Ronaldo avança com hotel de luxo em Porto Santo», Diário de Notícias, 20.08.2008, p. 30). Ainda o leitor incauto vai julgar que é alteração imposta pelo Acordo Ortográfico de 1990. Nada disso: é erro. Erros e gralhas inçam agora o Diário de Notícias. Os próprios títulos, objecto de muito mais atenção nos jornais, são agora desprezados neste diário: «Contra-bando de bíblias descoberto» (19.08.2008, p. 41). Sobre uma ponte romana em Chaves: «Autarquia desfaz tabu sobre a ponta romana» (19.08.2008, p. 20).

Particípios regular e irregular

Morta está a língua

«No sangue de centenários que sobreviveram à pandemia da gripe de 1918, cientistas norte-americanos conseguiram ainda descobrir anticorpos activos contra aquela estirpe viral [,] que terá morto pelo menos 50 milhões de pessoas em todo o mundo» («Anticorpos contra gripe de 1918 ainda estão activos», Clara Barata, Público, 19.08.1008, p. 13). Pois, cara Clara Barata, mas com os verbos auxiliares ser e estar, devemos empregar o particípio irregular do verbo principal: foi/está morto; com os auxiliares ter e haver, devemos empregar o particípio regular: tinha/havia matado.
Outra vez: «No sangue de centenários que sobreviveram à pandemia da gripe de 1918, cientistas norte-americanos conseguiram ainda descobrir anticorpos activos contra aquela estirpe viral [,] que terá matado pelo menos 50 milhões de pessoas em todo o mundo.»

Bilião, outra vez

Desilusão


      Afinal, parece que o jornalista Rui Marques Simões não lê este blogue. «Liu Xiang desiludiu ontem um quinto da população mundial» («Pressão de um bilião de chineses foi calcanhar de Aquiles de Xiang», Rui Marques Simões, Diário de Notícias, 19.08.2008, p. 36).

Léxico: «basónimo»

Ficam a saber

Já sei que sabem o que são acrónimos, alónimos, antónimos, antropónimos, asterónimos, astiónimos, astrónimos, autónimos, axiónimos, bibliónimos, criptónimos, cronónimos, etnónimos, fitónimos, hagiónimos, heortónimos, heterónimos, hidrónimos, hierónimos, hiperónimos, hipónimos, holónimos, homónimos, matrónimos, merónimos, mitónimos, orónimos, ortónimos, panteónimos, parónimos, potamónimos, prosónimos, pseudónimos, sinónimos, tautónimos, teónimos e topónimos — mas sabem o que são basónimos? Não sabem? Então já têm algo em comum com os jornalistas. Estes não os sabem grafar, os leitores não conhecem o conceito. Pois basónimos são epítetos binominais ou trinominais, em latim, usados para designar um ser vivo, seus Homo sapiens.

topónimo

Até que enfim!

No Diário de Notícias já perceberam — aposto que à custa de muitos protestos de leitores — que o topónimo não se escreve como o estavam a fazer, mas assim: «As aventuras dos cinco da Abrançalha de Baixo» (reportagem de Isabel Lucas, Diário de Notícias, 17.08.2008, pp. 6-7).

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