25.7.08
Abaixo o hífen!
Caro Luís Ferreira: não, «relações públicas», o termo para designar o «profissional que tem como função alargar a projecção de determinada empresa, sociedade ou grupo junto do público, transmitindo destes uma boa imagem» (na definição do Dicionário de Língua Portuguesa da Porto Editora), não tem hífen. O uso inadequado do hífen, o seu uso excessivo, é uma das maldições da escrita jornalística dos nossos dias. Agora que sou revisor de uma publicação periódica como é um jornal (de revistas já o sou há anos, mas nestas escreve-se infinitamente melhor), estou bem colocado para o afirmar. «Bernardo Macambira, ex-marido de Rute Marques e um dos mais conhecidos relações públicas da noite portuense, está desde terça-feira da passada semana detido* na prisão de Custóias, onde cumpre uma pena de quatro meses devido à apreensão de um CD pirata, a 10 de Dezembro do ano 2000, na hoje extinta discoteca Voice, da qual era então o principal responsável» («Bernardo Macambira preso por ter CD pirata na sua discoteca», Marcos Cruz, Diário de Notícias, 23.07.2008, p. 15).
* De caminho, aproveito para lamentar que os jornalistas continuem a escrever este disparate. Alguém pode estar (em Portugal, não no Zimbabué, por exemplo) mais de oito dias detido? O máximo, e é uma garantia constitucional, são 48 horas, prazo só ultrapassável se já se tiver iniciado o interrogatório judicial. Mas não são realizados de vez em quando seminários de Direito para jornalistas? Ninguém aparece?
Caro Luís Ferreira: não, «relações públicas», o termo para designar o «profissional que tem como função alargar a projecção de determinada empresa, sociedade ou grupo junto do público, transmitindo destes uma boa imagem» (na definição do Dicionário de Língua Portuguesa da Porto Editora), não tem hífen. O uso inadequado do hífen, o seu uso excessivo, é uma das maldições da escrita jornalística dos nossos dias. Agora que sou revisor de uma publicação periódica como é um jornal (de revistas já o sou há anos, mas nestas escreve-se infinitamente melhor), estou bem colocado para o afirmar. «Bernardo Macambira, ex-marido de Rute Marques e um dos mais conhecidos relações públicas da noite portuense, está desde terça-feira da passada semana detido* na prisão de Custóias, onde cumpre uma pena de quatro meses devido à apreensão de um CD pirata, a 10 de Dezembro do ano 2000, na hoje extinta discoteca Voice, da qual era então o principal responsável» («Bernardo Macambira preso por ter CD pirata na sua discoteca», Marcos Cruz, Diário de Notícias, 23.07.2008, p. 15).
* De caminho, aproveito para lamentar que os jornalistas continuem a escrever este disparate. Alguém pode estar (em Portugal, não no Zimbabué, por exemplo) mais de oito dias detido? O máximo, e é uma garantia constitucional, são 48 horas, prazo só ultrapassável se já se tiver iniciado o interrogatório judicial. Mas não são realizados de vez em quando seminários de Direito para jornalistas? Ninguém aparece?
Por outro lado, quem é o responsável pela incoerência de no corpo do artigo se usar o vocábulo «detido» e no título «preso»? Um revisor atento não corrige ou pelo menos não chama a atenção do jornalista ou do editor?
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