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Futura ortografia

As alterações introduzidas pelo Acordo Ortográfico de 1990 estão já contempladas na edição digital da Infopédia, publicada pela Porto Editora, com acesso livre aqui. Poderão confirmar, por exemplo, que neorrealismo é um vocábulo dAC, «depois do Acordo Ortográfico»...

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Desportos náuticos

Também em linha temos o Diccionari d’esports nàutics, catalão, com 963 termos, com a respectiva definição e equivalentes em espanhol, francês e inglês.

«Endireita», «algebrista»

O endireita


      Se querem mesmo uma antecipação a sério, sem nenhum objectivo enviesado, das regras do Acordo Ortográfico de 1990, podem descarregar o livro de contos O Endireita, de Edson Athayde. Segundo a notícia do Público, o autor afirma que «é “o primeiro livro do mundo” publicado segundo as regras do novo acordo ortográfico». «O conto que dá o nome ao livro», ainda segundo o Público, «“O endireita”, lança um desafio particular para o público brasileiro, uma vez que o termo, que Edson Athayde confessa que achou “maravilhoso”, não tem paralelo no Brasil. “Endireita não tem significado no Brasil. A primeira vez que ouvi a palavra foi em Portugal. Achei maravilhosa. Acho maravilhoso quando a peça for montada no Brasil, ter este léxico tão português”, diz Edson que quis que esta obra fosse um teste ao novo acordo ortográfico». Um sinónimo é «algebrista», que os dicionários brasileiros também não registam. O Novo Dicionário da Língua Portuguesa, de Cândido de Figueiredo, regista que algebrista é «aquelle que medica fracturas de ossos, ou ossos deslocados».

Ortografia: «neo-realismo»

Ver aqui.

A meio de nada


«Inaugura amanhã a exposição bibliográfica Baptista Bastos — Prosador do Mundo, no Museu do Neorealismo, em Vila Franca de Xira, pelas 17.00. […] Mais informações online, em www.museudoneorealismo.pt» («Percurso de Baptista Bastos em exposição», Diário de Notícias, 9.5.2008, p. 44). Primeiro, pensei (eu sou todo boa-fé) que era um erro de simpatia: como no URL está sem hífen, o jornalista teria escrito da mesma forma: neorealismo. Decidi ver na Internet e encontrei a imagem que está em cima. Ora, nem pelas regras do Acordo Ortográfico de 1945 nem pelas do Acordo Ortográfico de 1990 se escreve assim. De facto, estabelece a Base XXIX, 2.º, do Acordo Ortográfico de 1945: «Compostos formados com os elementos de origem grega auto, neo, proto e pseudo, quando o segundo elemento tem vida à parte e começa por vogal, h, r ou s: auto-educação, auto-retrato, auto-sugestão; neo-escolástico, neo-helénico, neo-republicano, neo-socialista; proto-árico, proto-histórico, proto-romântico, proto-sulfureto; pseudo-apóstolo, pseudo-revelação, pseudo-sábio.» O Acordo Ortográfico de 1990, na sua Base XVI («Do hífen nas formações por prefixação, recomposição e sufixação»), 2.º, a), por sua vez, consigna que não se emprega hífen «nas formações em que o prefixo ou falso prefixo termina em vogal e o segundo elemento começa por r ou s, devendo estas consoantes duplicar-se, prática aliás já generalizada em palavras deste tipo pertencentes aos domínios científico e técnico. Assim: antirreligioso, antissemita, contrarregra, contrassenha, cosseno, extrarregular, infrassom, minissaia, tal como biorritmo, biossatélite, eletrossiderurgia, microssistema, microrradiografia».
Podem ser influências futebolísticas, com a ida de Mourinho para Itália. Em italiano é que se escreve neorealismo. Preferia que estivesse escrito, numa antecipação do Acordo Ortográfico de 1990, «neorrealismo» (como também se escreve em espanhol), porque sempre seria de acordo com alguma regra.

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Detecção remota

Está disponível em linha o Dicionário dos Termos em Sensoramiento Remoto, com equivalências em português, espanhol, inglês e francês. Sensoriamento remoto ou percepción remota ou remote sensing ou télédétection.

Actualização

Trago para aqui o comentário de um leitor, Fernando Ferreira, pela importância de que se reveste: «Penso que a expressão mais adequada em português é “detecção remota”, até porque está já estabelecida como tal através do uso. Eu próprio faço parte de um grupo de investigação do Departamento de Física da UBI denominado precisamente “Unidade de Detecção Remota”.»

Regência do verbo «parecer»

Antigamente é que era

Recentemente, uma pessoa dizia-me que «antigamente o verbo “parecer” só tinha uma regência: parecer-se com». Não confirmei tal informação, claro, porque me lembrava de autores tão insuspeitos como Camilo Castelo Branco usarem a regência parecer-se a. Na acepção de assemelhar-se, dar ares de, ser semelhante, igual ou análogo, escreveu Camilo: «Mas os naufrágios do coração parecem-se aos do mar» (Consolação); «Corre perigo o lobo que ao pastor quer parecer-se» (apud Stringari). Sim, também usou a regência «parecer-se com»: «Nunca se parecera com o pai senão quando se riu assim» (Novelas, III). Todos os exemplos são do Dicionário de Verbos e Regimes de Francisco Fernandes (Globo, Rio de Janeiro, 36.ª edição, 1989, p. 449).

Pensar e escrever

As questões sintácticas

Entrevistado por Isabel Lucas para o Diário de Notícias («Quem escreve mal pensa mal», 4.6.2008), o escritor Mário Cláudio diz que tem assistido à discussão à volta do Acordo Ortográfico «com mais perplexidade do que preocupação, até porque não tenciono ser um fiel seguidor de qualquer acordo. Há coisas mais importantes em torno do português do que as ortográficas. Desde logo as de carácter sintáctico. A nossa língua está a ser abastardada. As questões sintácticas têm a ver com o raciocínio, são de carácter mental. As outras têm a ver com cartilha. Quem escreve mal pensa mal e o inverso também é verdadeiro. Escrever e pensar mal são a mesma coisa. E escrever mal não é escrever dança com “s”. É essa ganga do mau pensamento que associo hoje à escrita: gente que pensa mal e que escreve mal».

Léxico inadequado: «desadequado»

Olhe que não


      «O especialista em Bioética Rui Nunes defendeu ontem, no Porto, que a lei sobre a interrupção voluntária da gravidez “está desadequada” do Código Deontológico dos Médicos, em vigor» («Lei do aborto desadequada do Código Deontológico», Diário de Notícias, 31.5.2008, p. 20). Assim de repente não sei, mas quase de certeza que foi o meu professor de Latim, há mais de vinte anos, que me disse que não se deve usar «desadequado». Que o Dr. Rui Nunes use, não me surpreende nem interessa para aqui. Quando se trata da língua portuguesa, nunca consulto um médico. Grave é que o jornalista o tenha feito. Na substância, a explicação do meu professor não era muito diferente da que José Neves Henriques deu no Ciberdúvidas: «Dizer desadequado mostra ignorância. Tem razão no que diz, porque não é por uma palavra estar bem formada que é correcto empregá-la.»

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