Assim Mesmo no VerveEarth


Tantos!

Como podem ver, já estou no VerveEarth. É um conceito interessante, sim senhor. Assim é que se vê quantos somos e onde estamos. Se formos vizinhos (e hoje comemora-se o Dia Europeu dos Vizinhos), até podem vir cá a casa pedir sal. Ou uma vírgula.

Manual médico


O corpo, a mente

Já está disponível na Internet o Manual Merck, Saúde para a Família. Este manual médico, editado pela farmacêutica Merck Sharp & Dohme e traduzido para 18 línguas, demorou cinco anos a ser escrito e teve a colaboração de 200 autores. É mais uma ferramenta para tradutores e revisores.

Semântica: «lésbica»

Safa, é lésbica!

      Recentemente, foi notícia que três habitantes da ilha grega de Lesbos (que tem 350 mil habitantes), no mar Egeu, interpuseram nos tribunais uma acção contra a organização Comunidade Homossexual e Lésbica Grega (OLKE), por esta usar na sua designação o vocábulo «lésbica». Um dos co-autores da acção, o activista e editor da revista Davlos, Dimitris Lambrou, ligado a um grupo nacionalista pagão, argumentou que a utilização do vocábulo por pessoas sem relação com o seu lugar de nascimento distorce o significado histórico da palavra.
      Ora, o vocábulo «lésbica» terá sido usado pela primeira vez no século XVI, quando o autor Pierre de Brantôme, também conhecido por Abade de Brantôme, fez uma compilação dos poemas amorosos entre mulheres num livro que intitulou As Lésbicas em referência a Safo de Lesbos, poetisa do século VII a. C., contemporânea e conterrânea do poeta Alceu. Nesta altura, no século XVI, as lésbicas também eram conhecidas como ficatrices ou tríbades, ou seja, mulheres que se esfregavam umas às outras.

Aprender mandarim

Mandarim calmante

Perante a emergência da China como nova grande potência mundial, os Brasileiros não perdem tempo. Cada vez há mais interessados em aprender mandarim. «Na Câmara de Comércio e Indústria Brasil-China (CCIBC), o curso já chegou a ter fila de espera e a procura aumentou cerca de 70 % de 2007 para 2008» («Aprendendo mandarim para dominar o mundo», Anna Luiza Guimarães, Jornal do Brasil, 25.5.2008, A17). Uma professora de Mandarim, Luysi Chao, diz que a «notícia de que o idioma não tem conjugação verbal sempre acalma os iniciantes». Pois, e o resto? Mas admito: se a conjugação verbal da nossa própria língua já é uma complicação para os falantes, o que não seria igual complexidade para os que estão a aprender uma língua tão estranha à nossa cultura.

Vantagem injusta

E porque não?

Recentemente, alguém me dizia que o conceito de «vantagem injusta» era inconcebível. Ora, não soube então nem agora sei porquê. Por coincidência, soube que há dias Oscar Pistorius, o atleta sul-africano duplo amputado, declarava a propósito de o Tribunal Arbitral do Desporto entender, ao contrário da Federação Internacional de Atletismo, que as próteses da marca Cheetah Flex-Foot que usa não lhe concediam vantagem relativamente aos outros atletas: «Estes últimos dias foram muito stressantes. Este é um dos melhores dias da minha vida e espero que isto cale as teorias malucas que circularam acerca da minha injusta vantagem”» («Pistorius, o atleta com próteses nas pernas, pode correr nos Jogos Olímpicos de Pequim», Filipe Escobar de Lima, Público, 17.5.2008, p. 38). Não há, tanto quanto a minha inteligência abrange, qualquer contradição nos termos.

Léxico contrastivo: «grotão»

No cu de Judas

«Em 2004, o programa ainda estava começando, e o que nós já observamos naquele ano foi que o PT finalmente conseguiu penetrar nos grotões e aumentou bastante sua cota nos municípios menores. Muita gente fala sobre como o Bolsa Família ajudou Lula nas eleições de 2006, quando o programa atingia dez milhões de famílias, mas agora já está chegando a 12 milhões. Então, provavelmente, o PT vai ter esse ano um resultado ainda melhor, penetrando mais nas cidades menores» (David Fleischer, em entrevista a Raphael Bruno. «“PT conseguiu entrar nos grotões”», Jornal do Brasil, 25.5.2008, p. A9). Grotão é o termo popular brasileiro para designar um lugar muito distante em relação aos centros urbanos. É o aumentativo de «grota», um vale, terreno entre duas montanhas (do italiano grotta, que também regista a acepção, literária e obsoleta, de luogo scosceso, rupe: andatevene su per questa grotta (Dante)).

A necessidade de revisão

Erros? Gralhas? Ambos?

«Infelizmente, a versão portuguesa [da obra Um Oceano de Ar, de Gabrielle Walker, com tradução de Maria Emília Novo e publicada pela Europa-América] não faz justiça à inspirada prosa de Walker. As incorrecções gráficas abundam e nalgumas passagens a média é de uma por página — excedendo claramente o limite do tolerável» («A ciência do ar», Luís Tirapicos, Expresso/Actual, 10.5.2008, p. 41). Embora a expressão «incorrecção gráfica» não seja das mais claras (são erros? São gralhas?), um facto se percebe: a obra referida tem mais erros do que é admissível. Parece ser uma opção editorial a que só os leitores poderão pôr fim.

Iliteracias

Tantas mortes

No Metro, dois homens falavam dos dez anos da morte de Francisco Lucas Pires, esse homem admirável e político como poucos.
— De que é que ele morreu mesmo?
— Acho que foi de morte natural.
— Morte natural? Mas não foi doença?
— Há aí uma conjunção a mais. De morte natural. Mais concretamente, ataque cardíaco.

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