Léxico contrastivo: «tombamento»

Niemeyer tombado

      «Como forma de homenagear o aniversário de 100 anos do arquiteto, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) anunciou este ano o tombamento de 23 obras de Niemeyer em Brasília e da Casa das Canoas no Rio de Janeiro. Obras do arquiteto em São Paulo, Paraná, Goiás e Rio Grande do Norte também foram tombadas. Na época, o superintendente do Iphan do DF, Alfredo Gastal, já afirmara que o tombamento reconheceria a importância do trabalho de Oscar Niemeyer» («Tombamento comemora os 100 anos de Niemeyer» Jornal do Brasil/Brasília, 15.12.2007, p. R6). Na definição do dicionário Aulete Digital, cujo uso recomendo vivamente, «tombamento» é a «acção pela qual se protege um património público resguardando-o, como documento histórico, da descaracterização geralmente provocada pelo homem, ou por sua acção directa ou pela falta de cuidados básicos de manutenção» (adapto a ortografia à variante europeia do português, para que almas mais sensíveis não se sintam embaraçadas).
 

Acepções do termo «fraldão»

Imagem de charrete em Sintra: http://www.sintratur.com/

Dodots gigantes

      «O fim do verão carioca será marcado por uma nova tendência entre os apaixonados por animais, pelo menos os por cavalos. O dia 4 de março será o último em que as charretes espalhadas em pontos pitorescos da cidade —­ como na Praça Xavier de Brito, na Tijuca, ou em Campo Grande — ­poderão cavalgar sem fraldões. A regra, que já existe em capitais turísticas como Nova York, passou a existir no Rio depois que o prefeito Cesar Maia sancionou, na semana passada, um projeto de lei da Câmara Municipal. Criado em 2002, o projeto ficou esquecido por quase cinco anos nos arquivos das comissões permanentes da Casa, até ser aprovada. No Rio, as charretes da ilha de Paquetá saíram à frente e, este ano, já embalaram os cavalos com os fraldões. Tecnicamente, trata-se de um tipo de saco colocado na traseira do cavalo e que tem poupado os paralelepípedos do bairro histórico do adubo natural, mas de péssimo cheiro» («Verão do Rio será de cavalos com fraldas», Jornal do Brasil, 15.12.2007, p. A15). É o exemplo mais próximo, Nova Iorque. Pois os cavalos que puxam as charretes em Sintra também usam fraldas especiais. Verdes. E é claro que os dicionários, incluindo o Aulete Digital, ignoram esta acepção do termo «fraldão». A propósito, lembro que o meu glossário do cavalo já tem 1019 entradas.

Léxico contrastivo: «videomonitoramento»

É para ver

      «Fortaleza entra definitivamente para o Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania (Pronasci) com a solenidade de assinatura do termo de adesão entre o Ministério da Justiça (MJ) e a Prefeitura Municipal, na próxima terça-feira, dia 18. Entre as ações previstas no programa, está o monitoramento por meio de sistema de câmeras (videomonitoramento) do Centro histórico, em especial, o quadrilátero que compreende a Praça da Lagoinha até a Praça Coração de Jesus e o Passeio Público até a Igreja do Carmo» («Centro histórico terá videomonitoramento», Ricardo Moura, O Povo, 15.12.2007, p. 6). É a nossa videovigilância (que o jornal Públicografou, erradamente, «vídeo-vigilância»).

Léxico contrastivo: «brinquedoteca»

É a brincar

      «A brinquedoteca é um espaço que reúne muitas possibilidades e potencialidades para desenvolver trabalhos sérios e relevantes para as crianças, através da brincadeira. Ela resgata a importância do brincar para a criança» («Kits para brinquedoteca serão entregues», Rita Célia Faheina, O Povo, 10.12.2007, p. 11). Em Portugal chamamos-lhe — o pendor clássico não é somente dos Brasileiros — ludoteca. O sufixo -teca dá para tudo.

Redução de milhões de euros

Já temos

      Afinal, quando elogiava aqui a forma sucinta de os Brasileiros escreverem quantias, talvez já os jornais portugueses andassem a fazer o mesmo: «Portugueses pouparam 86 ME com o Multibanco», titula hoje o jornal Meia Hora (13.12.2007, p. 13).

Matemática e ciências

Novo portal

      Sem dúvida atractivo e útil, o portal Skoool.pt, resultado de uma parceria entre a Intel Corporation e a Câmara Municipal de Castelo Branco. Para aprender ou recordar conceitos no campo das ciências e das matemáticas. Com recursos abertos e gratuitos.

Léxico contrastivo: «13.º salário»

Realmente

      «As empresas têm até o próximo dia 30 de novembro para pagar a primeira parcela do 13.º salário aos funcionários com carteira assinada. Isso significa que aposentados, pensionistas e trabalhadores contratados formalmente que trabalharam mais de 15 dias neste ano têm direito a mais um salário, sendo 1/12 do valor para cada mês trabalhado» («O que fazer com o 13.º salário?», Wânia Caldas, O Povo, 7.11.2007, p. 27). Realmente, o salário é que é o 13.º, e não o mês, como em Portugal. Deve ser por isso que a alguns portugueses sobra sempre mês no fim do ordenado...

Diabolus in Musica

É o Diabo

Acabei de ouvir na Antena 1 a publicidade ao espectáculo Diabolus in Musica, em cena hoje no Grande Auditório do CCB. Antes de um elemento (Giancarlo Macrí?) do grupo ter falado, a jornalista disse: «“Diabolus in Musica”, isto é, o “Diabo entra na música”.» Apesar de ser um espectáculo divertido, afinal é sobre a música clássica, integrando no repertório música de Vivaldi, Mozart, Bizet, Strauss, Bach, Offenbach, Rossini… Acreditaria piamente no arremedo de explicação, se não me recordasse deste trecho de uma obra magnífica: «A Igreja Católica baniu a música que contivesse polifonia (mais do que uma parte musical interpretada de cada vez) temendo que tal levasse as pessoas a duvidar da unidade de Deus. A Igreja também baniu o intervalo musical de uma quarta aumentada e a distância entre o dó sustenido e o fá sustenido, conhecida por trítono (no West Side Story de Leonard Bernstein, corresponde ao intervalo no qual Tony canta o nome «Maria»). Este intervalo era considerado de tal forma dissonante que só podia ser obra de Lúcifer e a Igreja passou a chamá-lo Diabolus in musica. Foi a altura sonora que deixou em grande rebuliço a Igreja medieval» (in Uma Paixão Humana — O seu Cérebro e a Música, de Daniel J. Levitin, tradução de Bárbara Pinto Coelho, Editorial Bizâncio, Novembro de 2007, pp. 21-22).

Arquivo do blogue