Léxico contrastivo: «bandalha»

Bandalheira

«Para pôr fim às cenas de desordem no trânsito que se repetem nos fins de semana nas vias próximas à orla, na Barra da Tijuca e no Recreio, a CET-Rio dará início, neste feriado de Dia de Finados, à Operação Verão. Mudanças nos tempos dos sinais, inversões de mão, bloqueios de trechos e atuação efetiva do policiamento, rebocando e multando infratores, são algumas das ações prometidas» («Repressão às bandalhas na orla terá início amanhã», Jornal do Brasil/Barra, 1.11.2007, p. 1). É um vocábulo regressivo de «bandalheira»: «Manobra ilegal no trânsito: Fez uma bandalha, cruzando o canteiro central» (in Aulete Digital).

Léxico contrastivo: «legenda»

Oposição mítica

«Em busca de apoio para a aprovação da CPMF no Senado, o governo apresentou ontem a líderes do PSDB um conjunto de nove medidas envolvendo promessas de desoneração de investimentos e de aumento para os recursos destinados à Saúde a partir do próximo ano. Na tentativa de convencer a legenda oposicionista, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, ofereceu a isenção da CPMF para pessoas físicas com salário até R$ 1.642» («Governo aumenta o pacote de bondades», Karla Correia e Juliana Rocha, Jornal do Brasil, 1.11.2007, p. A4). Segundo o Aulete Digital, no âmbito político, legenda é o «partido ou grupamento político, ou sua sigla: O presidente elegeu-se pela legenda do Partido dos Trabalhadores (PT)».

Léxico contrastivo: «despencar»

Lá do alto

«Como em outras capitais brasileiras, o consumidor de Fortaleza também ficou desconfiado com o leite UHT, chamado longa vida ou de caixa, após a fraude ocorrida em duas cooperativas mineiras e denunciada na semana passada» («Preço do leite longa vida despenca», Artumira Dutra, O Povo, p. 24). Despencar é, referido a preços, diminuir muito e rapidamente. Em Portugal, poder-se-ia escrever algo como: «Preço do leite UHT desce a pique».

Palestino/palestiniano

Eles sabem


      «Na Faixa de Gaza, a lei da oferta e da procura vem fazendo estragos. Bloqueados pelos israelenses, os encarregados das passagens fronteiriças permitem somente a circulação de produtos de consumo diário a conta-gotas, disparando assim os preços e desanimando os palestinos» («Preços disparam em Gaza e ânimo dos palestinos desaba», O Povo, 31.10.2007, p. 29). Palestinos, pois claro.

Léxico contrastivo: «pau-de-arara»

Como disse?

«“Eu vejo todos os dias os meus colegas entrarem na escola sujos, cansaços e até machucados porque são transportados num caminhão, sentam em bancos improvisados de madeira e até correm o risco de acidentes. Graças a Deus, eu não soube de nenhum acidente nessa região, mas já tive notícias em outros locais.” Dessa forma, a estudante Mallena Nogueira Lira, 13, justifica a defesa do projeto, de sua autoria, que trata da substituição dos paus-de-arara (caminhões abertos com bancos improvisados) como transporte escolar. Mallena cursa a 7.ª série do ensino fundamental na Escola de Ensino Fundamental e Médio (EEFM) Deputado Joaquim de Figueiredo Corrêa, em Iracema, a 283 quilômetros de Fortaleza. Eleita na cidade “deputada-mirim”, Mallena disse que teve a idéia da proposta e pediu a ajuda da comunidade escolar para redigir o projeto que foi um dos três vencedores, no País, entre 211 apresentados à Câmara Mirim» («Deputada-mirim de Iracema quer fim de pau-de-arara», Rita Célia Faheina, O Povo, 31.10.2007, p. 12).

Léxico contrastivo: «mesário»

Da mesa

«A Justiça Nacional Eleitoral declarou aberta a votação às 8h, embora algumas das 73.771 mesas de votação registrassem problemas, devido à falta de mesários. O diretor nacional eleitoral, Alejandro Tullio, disse, no entanto, que a situação foi “normalizada” em todo o país antes das 11h» («Falta de mesários atrasa abertura de urnas», Jornal do Brasil, 29.10.2007, p. A21). Do latim mensarius,ii, é o membro das mesas das assembleias ou secções de voto. É esta locução, «membro da mesa», que usamos em Portugal para dizer o mesmo que os Brasileiros exprimem com a palavra «mesário». Na verdade, também os nossos dicionários registam o vocábulo, apenas não o usamos: «Mesário, s. m. Cada uma das pessoas que constituem a mesa de uma assembleia» (in Grande Dicionário da Língua Portuguesa, coordenado por José Pedro Machado). Ricos mas avaros, entesouramos mas não usamos.

Léxico contrastivo: «boca-de-urna»

Sempre a perder

«A primeira-dama da Argentina, a senadora Cristina Fernández de Kirchner, de 54 anos, vai ser a primeira mulher eleita para a Presidência do país, segundo resultados das pesquisas boca-de-urna divulgadas em Buenos Aires, depois das eleições de ontem» («Cristina Kirchner vence segundo boca-de-urna», O Povo, 29.10.2007, p. 26). Era, é óbvio, demasiado arrojo para a nossa mentalidade conservadora passar das sondagens ou de qualquer circunstância relativa ao dia de eleições para «boca-de-urna». Esta inflexibilidade ancilosa o português europeu, subtraindo-o a uma plasticidade que parece — é — congenial ao português do Brasil. Mais perdemos.

Léxico contrastivo: «Cingapura»

_ ingapura

«Lucas Salatta conquistou neste domingo a medalha de prata na final dos 200 metros medley na etapa de Cingapura da Copa do Mundo de natação em piscina curta (25 metros). O nadador do Pinheiros obteve o tempo de 1min59s54, cerca de cinco segundos mais rápido em relação ao seu desempenho na prova classificatória (2min04s15)» («Brasil ganha medalha em Cingapura», O Povo, 29.10.2007, p. 3). O português do Brasil manteve a grafia tradicional portuguesa: Cingapura. Nós passámos a escrever Singapura. A propósito, o natural ou morador de Singapura é o singapuriano ou singapurense.

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