Relojão, relojão, relojão…
Londrina, no Norte do Paraná, a terceira maior cidade do Sul do Brasil, tem no topo de um edifício, o Edifício América, um relógio grande, muito grande — tão grande que é chamado o
Relojão. O consultor A. Tavares Louro, do Ciberdúvidas,
acha que o aumentativo de «relógio» «não tem uso porque não há relógios mecânicos maiores do que aqueles que vemos nas catedrais», opinião que acho absurda, pois, como sabemos, a língua não apresenta esta lógica interna. Os Londrinenses não estão enganados: podem continuar a usar o termo «relojão» para um dos ex-líbris da sua cidade. Se algum dos meus leitores brasileiros conhecer Aline Silva, estudante de Natal, transmita-lhe o recado.
Duas citações, para mostrar que o termo tem uso no Brasil: «Cheio de gás e louco para arrasar com as gatas, tropeça na malandragem: manga arregaçada em cima do
blazer (ele usa, mas ele é Rei), camisa aberta no peito (pior, só se for transparente),
relojão de ouro, calça balão, metal no sapato. Descontração elegante pede roupas, cores e acessórios que resultem em uma silhueta bem definida» («Calça, camisa, gravata e ambição», Lizia Bydlowski,
Veja, edição n.º 1548, 27.5.1998). «Para compor o cenário da breguice típica das novelas e os núcleos de pobres e ricos, “O Proxeneta” recorre ao repertório
kitsch, com destaque para a estética cafajeste: carrão vermelho conversível, cabeleira de galã,
blazers, relojão e óculos escuros, cigarro apagado no copo de uísque,
merchandising disfarçado em cenas, diálogos em tom teatral» («“O Proxeneta” expõe esgotamento de “Hermes & Renato”», Sérgio Ripardo,
A Folha, 12.10.2006).
O Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa em linha regista «relojão». Como regista igualmente «dedão», mas não «feriadão».