Judia/judaica

Mais uma infausta vez

      O actor e encenador Rui Mendes deu, a propósito da peça A Desobediência, agora no Teatro da Trindade, que conta a história do cônsul Aristides de Sousa Mendes, uma entrevista à revista Visão («Rui Mendes, a homenagem a Aristides de Sousa Mendes», edição n.º 762, de 11.10.2007, p. 160). A determinado ponto, afirma (fazendo fé na jornalista, Ana Margarida de Carvalho): «Pai de 14 filhos, viveu na miséria e da caridade alheia. Alimentava-se numa cantina judia [refere-se à Cozinha Económica de Lisboa, gerida pela Comunidade Israelita de Lisboa (CIL), situada na Travessa do Noronha] de Lisboa.» Os meus leitores já sabem o que pensar disto.

Léxico contrastivo: «detento»

Enclausurados

«Penitenciária Industrial Regional do Cariri (Pirc) oferece atividades de ressocialização, por meio da educação e da profissionalização dos detentos. O ourives Antoniel Ferreira da Silva é um exemplo» («Detentos aprendem a arte de ourives», Lucinthya Gomes, O Povo, 7.10.2007, p. 13). É um termo exclusivamente da variante brasileira do português, este «detento». Sinónimo de «preso», «prisioneiro», provém do latim detentus,a,um, tal como o nosso «detido» e o espanhol «detenido». Mas atenção: só estes dois últimos se traduzem mutuamente, ao passo que o primeiro corresponde aos vocábulos portugueses e espanhóis «preso» (do latim reclūsus) ou «recluso» (do latim prensus). O espanhol tem ainda o termo «encarcelado»: «Cerca de 4000 de monjes budistas serán encarcelados en Myanmar» (El País, 1.10.2007). «ETA recurre a sus jefes encarcelados en España ante las dificultades para su relevo» (ABC, 30.6.2003). «Encarcelados Sancristóbal, Masa y Amedo por el asesinato de Brouard» (El Mundo, 13.3.1999).

Uma palavra por dia: «achicar»

Água

«A vecinos, voluntarios de Protección Civil, bomberos, brigadistas, militares y policías locales se sumaron ayer diversas autobombas de los Bomberos de Castellón y Valencia. Los trabajos se prolongaron durante toda la pasada noche. El viernes ya se quedaron sin dormir achicando agua y limpiando los viales, llenos de barro y cañizo» («Alicante achica agua a la espera de cuantificar los daños», Público, 15.10.2007, p. 28). Achicar (que vem de chico, e este do latim ciccum,i, «coisa de escasso valor, bagatela») tem, entre outros não aplicáveis ao contexto, o significado de extrair água de um dique, de uma mina, de uma embarcação, etc.

Léxico contrastivo: «carro-pipa»

Imagem: http://www.quixeramobim.ce.gov.br/

Contra a estiagem brasileira


«Está suspenso o abastecimento de água por carros-pipa nos municípios do Ceará atendidos pelo Programa Emergencial de Distribuição de Água que funciona desde abril com recursos do Ministério da Integração Nacional em parceria com o Ministério da Defesa» («Abastecimento por carros-pipa está suspenso no Ceará», Rita Célia Faheina, O Povo, 15.10.2007, p. 11). Aquilo a que chamamos, em Portugal, «autotanque» ou «camião-cisterna» tem, no Brasil, o nome, muito mais sugestivo, de «carro-pipa». Que o Dicionário Houaiss regista: «carro-pipa s.m. camião dotado de grande tanque, ou reservatório, utilizado no transporte de água. ● GRAM pl.: carros-pipa e carros-pipas

Uma palavra por dia: «amañar»

Manhas e manias


      «Conmoción en el tenis mundial. El británico Andy Murray aseguró ayer que “hay partidos que están siendo amañados y hay jugadores que están advertidos”, en referencia a presuntos fraudes relacionados con casas de apuestas» («Murray admite el amaño de partidos», Público, 10.10.2007, p. 59). «Jogos combinados», escreve o Diário Digital. «Resultados arranjados», afirma o GloboEsporte. Murray disse que «all tennis players are aware that some men’s matches are fixed». Amañados vem, parece óbvio, de maña. E este vem, provavelmente, do latim *manĭa, «habilidade manual». Amañar é, entre outras coisas, preparar ou dispor algo com engano ou artifício. Também o português «amanhar» resulta, por parassíntese, de «manha». As formas derivantes, em português, são normalmente adjectivos ou nomes e as formas derivadas são verbos.

Dálitas, em espanhol

Intocáveis

Também o diário espanhol Público optou por adaptar, como fez o Expresso entre nós, a palavra «dalit»: «La iniciativa es del movimiento popular Ekta Parishad, una organización presente en 4.000 pueblos indios, que involucra a más de diez millones de personas, fundamentalmente campesinos sin tierra, intocables (dalitas) y miembros de comunidades tribales. Los organizadores esperan que participen hasta 25.000 campesinos sin tierra. Una vez en Delhi, entregarán al primer ministro Manmohan Singh sus reivindicaciones y que se lleve a cabo la prometida reforma agrária» («Los ‘sin tierra’ y los intocables recorren 350 kilómetros para pedir sus derechos», Público, 3.10.2007, p. 18).

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