Disparates

Serviço público? Bah...

Malato está em pulgas: quer demonstrar ao País que sabe o que são estrangeirismos. A pergunta era a que palavras se referia o termo «galicismo». As hipóteses: a) inglesas; b) francesas; c) italianas. Depois de muito hesitar, pensar, repensar, o concorrente, um professor, escolhe a medo a hipótese b). Malato, que — ainda se lembram? — estava em pulgas para exibir os seus vastos conhecimentos, a uma pergunta do concorrente sobre que nome têm os vocábulos com origem no italiano, expõe a sua teoria: com origem no francês são galicismos; com origem no inglês, anglicismos. O resto não tem designação específica, são estrangeirismos.
Ao pobre de espírito que me chamou pobre de espírito (mas que continua a ler-me para aprender alguma coisa) por eu ter aqui clamado contra a estupidificação causada pela televisão, deixo-lhe este exemplo de «horário nobre». Repetido todos os dias.

A propósito de «marginal»

Marginais e meliantes


      Deixem-me dizê-lo uma vez: o Dicionário da Academia também tem coisas boas. Uma delas é registar o substantivo «marginal» no sentido de estrada ou avenida ao longo de um curso de água ou do mar. Sempre me deixou perplexo que os dicionários a não registassem. Nem o Houaiss! Ora, tanto quanto sei, tal não implica que os tradutores não a usem e, mais ainda, não saibam traduzir os equivalentes noutras línguas. Dois exemplos. Duas personagens vão de automóvel. A determinada altura, lê-se no texto: «Nous prenons la route de la corniche.» Isto é canja para o tradutor: «Tomamos a estrada da cornija.» C’ést navrant. Noutra obra: «Following the coastal highway, he drove past the bridge road until he came to a white, expansive beach that was popular with windsurfers.» O tradutor, que também pensou «it’s easy as pie», verteu: «Seguindo a auto-estrada costeira, passou a estrada da ponte até chegar a uma extensa praia de areias brancas que era popular entre os surfistas.» Marginal soa-lhes a topónimo, tão topónimo como Estrada de A-da-Maia ou Estrada do Poço do Chão.

A propósito de «vaipe»

Impulsos

Há tempos, Manuel Fialho Silva, autor do blogue Breve Tempus, afirmava: «Exemplos de palavras que todos sabemos o que significam, mas que não existem oficialmente: “— Deu-lhe um vaipe”». Demonstrei-lhe, então, que não era bem assim, pois não apenas os dicionários não registam todos os vocábulos, como escolhera mal o exemplo, pois pelo menos o Novo Dicionário de Calão de Afonso Praça registava-o*. Na verdade, também o Dicionário de Língua Portuguesa da Porto Editora o regista, embora, estranhamente, o diga do género feminino: «Vaipe, substantivo feminino. Coloquial. Mudança súbita de comportamento; reacção inesperada; impulso.» Se volto à questão é porque um leitor me pergunta se se conhece o étimo de «vaipe». Desconheço. Contudo, sem afirmar que seja o francês vape**, redução de vapeur, a verdade é que podemos aproximar os vocábulos, pois uma das acepções de vape é «état d’excitation (de l’esprit)». Fica a ideia.

* «Vaipe — Impulso; reacção inesperada; mudança súbita de atitude; acção repentina. [Deu-me um vaipe e saí porta fora.
** Também vape é do género feminino, tal como vapeur. Este, embora tenha como étimo o latino vapor, masculino, adoptou, por analogia, o género das palavras francesas terminadas em -eur.

Legendas

Imagem: http://www.labutaca.net/films/24/lamalaeducacion.htm

Mala traducción…

Vi apenas uns minutos do filme Mala Educación, de Pedro Almodóvar, que passou no sábado na RTP. Não sei quem foi o responsável pela tradução e legendagem. O que vi não me agradou. Só um exemplo: quando Paca/Paquito (Javier Cámara) apresenta, no teatro, Zahara (Gael García Bernal), diz, como é da praxe, entre outras coisas, «a continuación les presento». Para minha surpresa (isto é só uma figura de retórica, pois na verdade não me surpreendeu nada), na legenda podia ler-se: «a continuação», etc. Não é nada de novo para mim: no mais simples, e em especial nos diálogos, é que se percebe até que ponto o tradutor domina a língua de partida.
Não sei mesmo se vale a pena ver um filme estropiado pelas legendas. É claro que com a esmagadora maioria da população a não saber interpretar uma simples notícia, legendar os filmes é inevitável — mas porque não põem a traduzir quem sabe? É que parece que traduz quem precisa de legendas…

Machreq ou Machereque?

Eis a questão



      Cara Luísa Pinto: eu nunca propus que se deviam traduzir os topónimos estrangeiros. Como todos os leitores, tem o direito de me ler, não de me tresler. O caso de Machreq é, providencialmente, muito simples. Provavelmente leu-o numa obra francesa. Sim, porque se tivesse sido numa inglesa, teria lido Mashreq ou Mashriq ou Mashrek. Ora, isso só significa que as várias línguas têm de transliterar para o alfabeto latino o topónimo árabe, já que desconhecemos esta língua. E para esse fim, podemos recorrer à norma internacional ISO 233. Se eu escrevesse a palavra árabe مشرق, a leitora não saberia se estava a insultá-la, se, por exemplo, a dar-lhe uma informação, não é? A verdade é que acabei de escrever o topónimo em causa. O topónimo significa «Levante», por oposição ao Magrebe (em árabe, المغرب), «Poente», e abrange, pelo menos numa das acepções, o Oriente árabe: Iraque, Síria, Líbano, Palestina, Egipto e parte da Líbia.
      No fundo, a verdadeira questão é se aceitamos as transliterações de outras línguas ou se procedemos à transliteração para a nossa língua, e não, evidentemente, se respeitamos o endotopónimo*. Já tenho tido oportunidade de ler, em alguns textos oficiais, em língua portuguesa, da União Europeia o topónimo transliterado como «Machereque». Prática que devemos seguir — para nos entendermos e mais tarde podermos afirmar que temos uma tradição.

* Sobre o conceito de endotopónimos e exotopónimos, ler o excelente artigo «Traducir (o no) los topónimos», de Miquel Vidal, no n.º 100 de Punto y Coma, pp. 57-62.

Glossário: armas

Armas e partes de armas antigas

Alabarda f. Arma formada de uma haste comprida de madeira, que termina por um espigão de ferro, atravessado por uma lâmina também de ferro e em forma de meia-lua.
Alaroso m. A pêndula maior de um fraldão da armadura.
Almofre m. Ant. Parte da armadura de malha, que cobria a cabeça, e sobre que era posto o elmo.
Amina f. Cota de malha, feita de ferro ou aço, usada pelos guerreiros da Idade Média.
Anasal ou anassal m. Parte do capacete que protegia o nariz.
Aríete m. Antiga máquina de guerra, para arrombar portas e muralhas: o aríete era uma trave terminada por uma peça semelhante a cabeça de carneiro.
Arnês m. Antiga armadura completa.
Babeira f. Peça de armadura antiga, que resguardava a boca, barba e queixo, fazendo parte do elmo.
Bacinete m. Peça da armadura que cobria a cabeça; à maneira de elmo.
Barbicacho m. Mil. Peça de armadura que sustentava o capacete ou elmo por debaixo do queixo.
Barbote m. Peça de armadura antiga, que cobria a barba.
Barbuta f. Capacete ligeiro, sem viseira e que deixa o rosto a descoberto.
Bardão m. Couraça do cavalo.
Barguicha f. Peça importante de antiga armadura que defendia as partes genitais.
Bastida f. Antiga máquina de guerra muito alta, sobre rodas. Trincheira de paus.
Balista f. Máquina de guerra com que arremessavam flechas, pedras, etc.
Bastilha f. O mesmo que fortaleza.
Bodoque m. Bola de barro cozido, que se atira com a besta.
Bombarda f. Máquina de guerra para arremessar pedras.│2. Peça de artilharia que arremessava grandes balas de pedra.
Borguinhota f. Ant. Espécie de carapuça, cervilheira de malha, defensiva da cabeça.
Brafoneira f. Parte da armadura que resguardava a região superior do braço e os ombros.
Brocha f. Peça de armadura antiga, para abrochar as peças.
Canevás m. Pano de cânhamo.│Peça deste pano nas antigas armaduras.
Capelina f. Peça da armadura antiga que resguardava a cabeça.
Catapulta f. Antiga máquina de guerra movida por cordas torcidas, que servia para arremessar pedras, virotes, etc.
Cervilheira f. Armadura defensiva da cabeça, espécie de capacete sem aba.
Chacra f. (do sânscrito chakra). Arma indiana de arremesso, constituída por uma roda de aço, furada, com a parte exterior muito afiada.
Cimeira f. Elmo.│2. Ornato que enfeita o cimo de um capacete.
Cobre-nuca m. Nas antigas armaduras, parte do capacete que cobria a nuca.
Codal m. Ant. Mil. Peça da armadura, formando parte do braçal e servindo para proteger o cotovelo.
Coracina f. Peça de armadura antiga que, na couraça, reforçava o peito do soldado à altura do coração.
Cossolete ou cossoleto ou corselete m. Armadura leve para o peito.
Cota f. Vestimenta que usavam sobre a armadura os cavaleiros antigos.
Cota de armas loc. Vestidura que levam os reis de armas nas funções públicas, nas quais está bordado o escudo real.
Cota de malha loc. f. Armadura defensiva e em forma de camisa feita de malhas ou pequenos anéis de metal entrelaçados.
Cotão m. Cota grande, vestimenta de cavaleiros antigos.
Cotari m. Espécie de punhal indiano.
Cotoveleira f. Parte da armadura que protege o cotovelo.
Coura f. Ant. Gibão de couro com que os soldados resguardavam o corpo; o m. q. couraça.
Couraça f. Armadura de aço para as costas e o peito.
Coxote m. A parte da armadura que fica acima das grevas e sobre as coxas.
Elmete m. Morrião, elmo.
Elmo m. Armadura antiga para a cabeça, espécie de capacete cilíndrico ou pontiagudo, que cobria a cabeça e o rosto, com uma abertura para os olhos.
Empolgadura f. Buraco em cada um dos extremos do arco da besta onde se enfiam as pontas da corda.
Engargantar v. Emperrar a bala no cano da arma de fogo antes de chegar à culatra.
Enlaçadura f. Cada uma das peças que enlaça o elmo.
Ensarilhar v. Apoiar no chão as coronhas (das armas), unindo-as na parte superior.
Erício m. Trincheira eriçada de paus de ferro na Roma antiga.
Escarcina f. Espécie de alfange usado pelos Persas.
Escorva f. Parte da arma em que se põe a pólvora que comunica fogo à carga.│2. Porção de pólvora, para comunicar fogo à carga das armas ou tiros de mina.
Escovilhão m. Grande escova em forma de cilindro, para limpar as bocas dos canhões.
Espaldar m. Peça de armadura.
Espaldeira f. Peça de armadura que protegia o ombro.
Espata f. Ant. Espada larga de dois gumes e sem ponta.
Espoleta f. Nome dado antigamente às escorvas das bocas de fogo.
Estarcão m. Ant. Cota de armas.
Estramazão m. Ant. Antiga e larga espada de dois gumes.
Exostra f. Ponte corrediça, que se estendia das torres móveis até às muralhas, e pela qual passavam os soldados que iam combater uma praça.
Falárica f. Ant. Espécie de lança, em cuja ponta se punha estopa embebida em substância inflamável para lançar fogo a casas, torres, etc.
Falcata f. Arma antiga, formada de uma haste, encimada por uma espécie de foice.
Falcato m. Sabre romano, em forma de foice.
Falda f. Parte plana do guarda-braço da antiga armadura, cobrindo por trás a omoplata e defendendo parte da frente do peito, sobretudo do lado esquerdo.
Fraldão m. Grande fralda que cobria o busto na parte inferior da armadura.
Frictor m. Peça de cobre, que serve para incendiar a escorva, nas bocas de fogo.
Frondíbalo m. Antiga máquina de guerra, que lançava grandes dardos.
Gálea f. Elmo; capacete de guerreiro.
Gargalheira f. Parte da armadura que protege a garganta.
Garrucha f. Mecanismo com que se armavam bestas.
Geso m. Espécie de lança pesada e comprida dos Gálios.
Gibanete m. Ant. Armadura antiga, couraça de ferro ou de malha de aço.
Gibão m. Vestidura antiga que se usava a cobrir o corpo até à cintura, por baixo do pelote, como hoje o colete.
Gládio m. Antiga espada curta e de dois gumes.
Gocete m. Peça da armadura antiga.
Goiva f. Ant. Agulha que servia para desimpedir o ouvido da peça de artilharia.
Gola f. Peça da armadura que protege o pescoço.
Gorjal m. Ant. Parte da armadura que defendia o pescoço. O m. q. gorjeira.
Gradelhas f. pl. Peça de armadura antiga, peça de malha mais rala, como grades miúdas.
Gorjeira f. Ant. Parte da antiga armadura, para defesa do pescoço.
Grevas f. pl. Parte das antigas armaduras, que revestia as pernas.
Hurdício m. Ant. Grade de madeira com que se protegiam as muralhas.
Joelheira f. A parte da armadura que protege o joelho.
Lanada f. Varredouro de peles de ovelha com que se limpa o interior das peças de artilharia.
Laudel m. Antiga vestidura de guerra.
Lazarina f. Arma de fuzil antiga, comprida e de pequeno calibre.
Loriga f. Espécie de saia de malha com lâminas de aço e que fazia parte da armadura dos guerreiros.
Lorigão m. Grande saia de malha; grande loriga.
Malha f. Trança de metal com que se faziam armaduras na Idade Média.
Mangote m. Parte da armadura, que revestia os braços.
Manopla f. Espécie de luva de ferro, que fazia parte das antigas armaduras dos gladiadores.
Manta f. Antiga máquina de guerra. O m. q. mantelete.
Mantelete m. Capa curta com que os cavaleiros cobriam o capacete e o escudo. Abrigo ligeiro para ataque e defesa das praças-fortes.
Meia-cana f. Peça das antigas armaduras, que cobria a parte anterior da perna, descendo até ao joelho.
Ortiga f. Ant. Tiro de peloiro de pedra.│2. Canhão de 19 palmos que atirava peloiros de pedra.
Panceira f. Ant. A parte da armadura com que os guerreiros resguardavam o ventre.
Partazana f. Alabarda grande.
Pavês m. Escudo comprido que protegia o corpo do combatente até ao ombro, com a parte interior côncava, semicilíndrica.
Pelouro m. Bala de pedra ou metal que se empregava em algumas peças de artilharia.
Pelta f. Pequeno escudo, em forma de crescente, usado outrora pelos guerreiros trácios e outros povos antigos. │2. Lança comprida, alabarda.
Piastrão m. Parte dianteira da couraça, que cobre o peito.
Rebraço m. Ant. Parte da armadura, que defendia o braço.
Rodela f. Escudo redondo, broquel.
Sambuca f. Antiga máquina de guerra que consistia numa espécie de ponte levadiça manobrada com cordas, que era baixada da torre de assédio sobre a muralha da lugar inimigo.
Teiró m. Parte da fecharia de algumas armas de fogo.
Tonelete m. Parte da antiga armadura, que descia da cintura ao joelho.
Virol m. Heráld. Rolo de fitas, entrançado, que ornava os capacetes nos torneios, e donde saíam os paquifes, que se conservavam na ornamentação dos escudos.
Virote m. Travessa de ferro os corpos das antigas espadas.│2. Vara de madeira, de secção quadrada, e que faz parte da balestilha.

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«Epá», mais uma triste vez

Só mais esta

«A coincidência de datas (consulta e aniversário) só merece um comentário de Bruno Nogueira: “Epá que maravilha.”» («Uma ida ao dentista como prenda de anos», Emanuel Rodrigues, 24 Horas, 31.1.2007, p. 43). Como o jornalista afirma que o humorista é que o escreveu no seu blogue, vamos ver. É mesmo: Bruno Nogueira escreveu «epá». É pena. Já a falta de vírgula corre por conta do jornalista, porque o humorista escreveu: «Epá, que maravilha.»

Glossário: palavras com étimo chinês

Anchaci m. Juiz provincial na China.
Barcalão m. Homem nobre na China.
Braçalão m. Alto dignitário, no Sião e na China.
m. Ant. O imperador da China, na Idade Média.
Cabisondo m. Sacerdote, bonzo da china e do Japão, mais autorizado em dignidade e grau entre os outros.
Cache m. Moeda chinesa.
Canga f. Suplício usado na China. O m. q. ganga.
Capisondo m. Oficial das alfândegas, na China.
Caulim ou caulino m. Substância terrosa (argila) com cheiro a barro, constituída por caulinite associada a outros minerais, muito empregada na indústria de louças de porcelana e ainda na preparação do alumínio.
Chaém m. Antigo magistrado de alta jurisdição na China.
Champaulu m. Embarcação chinesa.
Chandeu m. Espécie de feira, mercado, arraial ou romaria, na China.
Chau m. Nome do papel-moeda na China.
Chi ou ché m. Medida linear na China.
Chifanga f. Cadeia, prisão, casa de custódia, na China.
Chifu m. Espécie de regedor ou alcaide, entre os Chineses.
Chistira f. Espécie de esteira de palha, fabricada na China.
Chumbim m. Magistrado judicial na China.
Chumpim m. Tenente-general do exército chinês.
Cluva f. Espécie de corvo-marinho da China.
Colao m. Título dos ministros assessores do imperador da China, a que os Portugueses deram o nome de mandarins.
Colau m. Casa de pasto, na China.
Colir m. Funcionário que na China exercia as funções de censor.
Compim m. Na China, dignidade militar; comandante do exército de uma província.
Conchal, conchali ou conchalim m. Antigo magistrado judicial, entre os Chineses.
Conchuim m. Embarcação do Estado, na China, para transportar mandarins em serviço.
Condri m. Peso de ouro que servia de moeda na China: tinha 7 ½ grãos do peso de Portugal.
Conquão m. Chefe da fazenda provincial, na China.
Conquial m. Categoria de antigos sacerdotes chineses que viviam em clausura nos pagodes.
Continão m. Magistrado, espécie de promotor de justiça, nos antigos tribunais chineses.
Copu m. Tela estimada na China.
Coxão m. Religioso budista na China.
Cuchimioco m. Letra de câmbio, que alguns sacerdotes chineses dão para o outro mundo, por dinheiro que lhe dão os devotos.
Cunge m. Título nobiliárquico na China.
Dachém m. Balança chinesa de aço.
Dopo m. Arraial do comandante em acampamento militar na China.
Faitião m. Barco chinês, para carga e passageiros.
Fanqui m. Nome que os Chineses dão depreciativamente aos Europeus.
Fão m. Antigo peso da China.
Fene m. Moeda chinesa que vale a centésima parte de um tael.
Ferúcula m. Espécie de desembargado nos antigos tribunais de Nanquim, capital da província de Jiangsu.
Ganga f. Suplício na China. O m. q. canga.
Guedé m. Pequena embarcação usada na China.
Haitagim m. Na China, presidente do Tribunal da Fazenda.
Hajul m. Peixe da China.
Hobo m. Ameixoeira da China.
Hopo m. Na China, administrador da alfândega.
Iamém m. Repartição pública, na China.│Residência de mandarins.
Ichão m. Medida itinerária da China, que equivale a doze léguas antigas de Portugal.
m. Na China, hospedaria oficial.
Itau m. Comandante chinês.
Labão m. Militar chinês. O m. q. loção.
Lampa f. Seda da China.
Lanchuem m. Embarcação chinesa ligeira.
Lapá m. Espécie de trompa chinesa formada por três tubos.
Latane f. Casa de jogo, na China.
Lauié m. Tratamento de respeito que se dá aos velhos na China.
Laulé f. Ant. Pequena embarcação dos mares da China.
Lautiá m. Tratamento equivalente a senhor e que se dá aos altos funcionários chineses.
Lentocim m. Inspector de celeiros públicos na China.
Li s. 2 gén. Medida itinerária da China, variável segundo as épocas e os lugares.│m. Moeda da China, de estanho ou cobre.│m. Tratamento que se dá na China a certas pessoas.
Libanco m. Cárcere, cadeia na China.
Lipu m. Na antiga China, tribunal ou ministério dos ritos e cerimónias.
m. Instrumento de música chinês, de percussão, de cobre, da forma de um grande tambor e que é tocado com um maço de pau, variedade de gongo.
Majongue m. Espécie de jogo chinês com pedras de marfim, há anos em voga no Ocidente.
Monteu m. Espécie de magistrado judicial, na antiga China.
Moxa f. Med. Mecha de algodão ou de cotão que os Chineses colocam acesa sobre a pele, para a cauterizar.
Nautarel m. Na China, antigo empregado superior de alfândega.
Pacapio m. Termo de Macau. Lotaria chinesa, espécie de loto. O m. q. pacó-pio.
Paolu m. Queima-perfumes dos templos búdicos chineses, cuja tampa, perfurada para dar passagem ao fumo odorífero, tem por botão ou punho uma quimera ou leão búdico.
Pepa, peipá ou pipá f. Espécie de guitarra, usada pelas damas chinesas.
Peretanda m. Cavaleiro que, na antiga China, tomava parte em guardas de honra.│Espécie de carregador, entre os antigos Chineses.│Corregedor, algoz, carrasco, entre os Chineses.
Piambre m. Espécie de andas ou liteira, usada antigamente na China.
Pingue m. Medida de capacidade chinesa, que vale 560 litors.
Ponchaci m. Ant. Homem nobre na China.
Sanchu m. Aguardente de arroz, na China.
Sapatião m. Barco ligeiro e pequeno, na China.
Sauguate m. Doce de fruta, na China.
Siampão m. Pequeno navio chinês, de vela e remos.
Sigiputão m. Sacerdote de uma seita chinesa.
Sutate m. Bebida chinesa, também usada na ex-Índia Portuguesa, preparada com determinada variedade de feijões, anil, casca de laranja, etc.
Tacó m. Feijão da China; o m. q. tacós.
Tafu f. Bebida chinesa, preparada com certa espécie de feijões.
Taifó m. Adaga chinesa curta e muito afiada.
Ta-lou m. Nome chinês de um fundente vítreo usado para a esmaltagem das porcelanas e essencialmente constituído por silicato de chumbo com uma percentagem de cobre.
Tangram m. Quebra-cabeças de origem chinesa constituído por sete peças (conhecidas por tans), obtidas a partir de um quadrado. Ver aqui.
Taó m. Embarcação chinesa.
Taocu m. Tamboril chinês, atravessado no seu diâmetro por um pau que serve para pegar no instrumento.
Tiau m. Cerimónia praticada pelos Chineses depois da morte dos seus parentes, e que consiste em colocar o retrato do defunto sobre o altar, levantado na casa que ele habitava, e diante do qual os parentes e os amigos vão prostrar-se a prestar homenagem.
Tiém m. O ser supremo, na doutrina de Confúcio.
Tienzu m. Tamborete ou assento dos oficiais da corte, na China.
Toci m. Certo cargo público na China.
Tofu m. Alimento produzido pela coagulação do leite de soja.
Topaz m. Ant. Intérprete chinês.
Tufão m. Designação chinesa dos ciclones tropicais que ocorrem nas regiões ocidentais do oceano Pacífico; são designados furacões no oceano Índico e ciclones no mar da Arábia e na baía de Bengala.
Tutão m. Antigo e principal dignitário da corte da China.
Tuxinau m. Espécie de reitor dos pagodes da China.
Upo f. Espécie de beleguim na China.
Xuxiapom m. Nome dado à residência do soberano entre os Chineses dos tempos antigos.






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