Partenon

Em que ficamos?

      «O museu de Heraklion, capital da ilha grega de Creta, vai emprestar as suas antiguidades minóicas, da Idade do Bronze, ao Museu Britânico, em Londres. Esta colaboração para uma exposição que durará até 2009 deverá reabrir o diálogo entre a Grécia e o Reino Unido para a restituição pelo British Museum do friso oriental do Parténon» («Grécia empresta peças ao Museu Britânico», Público, 11.09.2006, p. 26). Pode confundir esta hesitação: Museu Britânico/British Museum. Tenho recomendado, a quem me pergunta, a primeira forma, por ter sólida tradição entre nós. Claro que no excerto do Público é muito mais do que isso que está em causa: a falta de uniformidade não abona a favor de nenhum texto. Já quanto ao «Parténon» (do grego Παρθενών), prefiro escrever sem acento agudo, pois que se trata de uma palavra aguda ou oxítona terminada em n: Partenon. Em português, as palavras terminadas em n só são acentuadas graficamente se forem graves ou paroxítonas: íman, líquen… Claro que não ignoro que autoridades como Maria Helena da Rocha Pereira escrevem «Pártenon», mas a esse esteio não se pode apoiar o Público. «Ao mesmo tempo, solucionou-se uma incipiente crise económica, provocada pela baixa na procura de homens para o serviço naval, empregando-os nestes longos trabalhos (só o Pártenon levou quinze anos a construir» (Estudos de História da Cultura Clássica, Maria Helena da Rocha Pereira, Fundação Calouste Gulbenkian, 7.ª edição, 1993, p. 386). É também por esta última forma que o Diário de Notícias opta: «Um fragmento dos frisos do Pártenon, espalhados por vários museus do mundo e cuja devolução a Grécia há muito reclama, foi ontem recolocado nas ruínas daquele templo» («Friso do Pártenon regressa à Acrópole de Atenas», 6.09.2006, p. 39).

Aljubarrota: pronúncia

Ainda há esperança

      Gostei muito de ver João Gobern, no programa A Canção da Minha Vida, na RTP1, no sábado, pronunciar correctamente o topónimo Aljubarrota: com o o fechado (/Aljubarrôta/), como se vê no Vocabulário da Língua Portuguesa de Rebelo Gonçalves e no Novo Prontuário Ortográfico de José Manuel de Castro Pinto.

Léxico: estipe

Imagem: http://www.arch.cam.ac.uk/

Palmeiras não são árvores

      De facto, caro Luís C. Silva, as palmeiras não são árvores. São, é verdade, o que de mais parecido existe na natureza com uma árvore, sem o ser. Ao contrário das árvores, as palmeiras não têm tronco, mas sim estipe ou estípite. Este estipe pode ser simples ou múltiplo, formando touceiras. Na maioria dos casos, o estipe apresenta anéis (e não casca, como as árvores), que são as cicatrizes ou fílulas deixadas pela base das folhas que vão caindo ou sendo arrancadas.

Linguagem jornalística

Acções e reacções

      Já muito se escreveu sobre as formas de dizer que vão marcando cada época. Colocar uma questão, prontos, é assim, entre outros, são modismos e bordões da fala que quase todos usam e que empobrecem a comunicação. Entre os jornalistas, tem agora muita fortuna o verbo «reagir». Ainda ontem, na SIC, uma repórter perguntava ao presidente da Câmara Municipal de Lisboa: «Como reage às notícias sobre a EPUL?» A repórter teve de repetir a pergunta, exactamente nos mesmos termos, porque da primeira vez o interpelado reagiu não reagindo. Da segunda, reagiu ignorando a pergunta. Quanto melhor não seria perguntar: «Que comentário lhe merecem as notícias sobre a EPUL?» «O que tem a dizer das notícias sobre a EPUL?»

Elemento neo-

Distracções

      «A prisão dos suspeitos de terrorismo neo-nazi ocorre num contexto de crescimento das forças de extrema-direita na Flandres e de acções de violência ligadas a xenofobia» («Militantes neo-nazis preparam atentados terroristas», LN, Diário de Notícias, 8.09.2006, p. 17). A verdade é que o elemento neo- apenas se liga por hífen ao elemento seguinte quando este começa por vogal, h, r ou s: neo-helenístico, neo-realismo, neo-siríaco.

Uso do itálico

Nem pensar

      «E entretanto aventam-se uma série de nomes para quem poderá vir a coadjuvar Brown na nova direcção do Labour» («Oposição a Blair vai pedir a sua demissão no congresso do Labour», Público, 20.08.2006, p. 22).
      «E em Maio do ano passado foi o primeiro trabalhista a conseguir uma terceira vitória consecutiva para o Labour» («Blair não avança data mas sai no espaço de um ano», Susana Salvador, Diário de Notícias, 8.09.2006, p. 14).
      As regras sobre o uso do itálico não prevêem que se grafe o nome das instituições — neste caso, um partido político — em itálico, independentemente de o nome ter tradução ou não.


Advérbio onde

É simples

      «Fidalgo, oficial do Exército (onde chegou a general), escritor e secretário particular de el-rei durante o reinado de D. Carlos (1889-1908)» («A minha rua tem o nome de um deputado», Rui Ramos, Público, 26.08.2006, p. 11). Trata-se do conde de Arnoso, amigo de Eça de Queirós. E o erro, onde está? Pois está no «onde», advérbio de lugar que se deverá utilizar somente na referência a um local. Infelizmente, é um erro com raízes bem fundas e, o que é pior, cada vez mais tolerado.

Baluchistão, Balochistão ou Baluquistão?

É só escolher

      «Quetta, capital da província paquistanesa do Baluchistão, foi ontem palco de incidentes violentos, entre elementos tribais e a polícia» («Agitação tribal afecta província do Baluchistão», Luís Naves, Diário de Notícias, 30.08.2006, p. 9).
      «Um líder rebelde do Balochistão, morto pelas forças de segurança paquistanesas, foi ontem enterrado na sua terra natal, numa cerimónia apressada» («Funeral de líder rebelde no Balochistão sob vigilância», Público, 2.09.2006, p. 18).
      A imprensa brasileira parece preferir a forma Baluquistão, mais rara entre nós, que balançamos entre Baluchistão e Balochistão. Não parece, contudo, haver razões para preferir uma forma a outra.

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