Etimologia: tangerina

Imagem: http://www.iac.sp.gov.br/

Sumarentas


Quem não gosta de tangerinas? De uma forma geral, aliás, todos os Marroquinos são simpáticos. Agora a sério: já se lembra que o gentílico relativo a Tânger é tangerino? Pois o fruto designado tangerina tem tudo que ver com o caso. Inicialmente, esta variedade de laranja era apenas produzida no Norte de África, de onde era exportada para a Europa a partir do porto marroquino de Tânger. Por isso, de início ficou conhecida como «laranja tangerina», isto é, «tangerina» era então um adjectivo. Mais tarde, omitiu-se o vocábulo «laranja», bastando o gentílico para designar este belo citrino. O termo «tangerina» é, pois, um epónimo — vocábulo que surgiu a partir de um nome próprio. Também noutras línguas ocorreu a mesma evolução: em inglês, primeiro, tangerine orange, e depois apenas tangerine; em espanhol, primeiro, naranja tangerina, e depois somente tangerina.

Ortografia: «campainha»


Soam campainhas…

      
Quantas criancinhas não estarão agora a escrever incorrectamente a palavra «campainha», e tudo por causa do Público? Este também é um erro de acentuação comum, e por sorte consegui encontrar uma tira do Calvin & Hobbes para o mostrar. Ora, a palavra «campainha» não precisa de acento gráfico, pois a semivogal i, ao ser anasalada pelo dígrafo nh, é como que autonomizada, destacada como sílaba, desfazendo assim o ditongo. Nas mesmas circunstâncias, bainha, biscainho, Fontainhas, grainha, ladainha, Maçainhas, moinho, rainha, redemoinho, remoinho, tainha, ventoinha, etc. Não faço agora nenhum comentário ao «bora».


Léxico: gerlanda

Do Alentejo

A leitora Luísa Coelho diz-me que costumava, quando era pequena, ir visitar uma avó ao Alentejo e que em casa dessa avó havia «ressaltos ou prateleiras de alvenaria a três quartos da altura das paredes onde se punham vários objectos». «Ainda me recordo», diz, «de a minha avó lá ter garrafas de vidro transparente cheias de água colorida, para embelezar a cozinha.» Pergunta-me se conheço o nome que se dava a essas prateleiras. O Alentejo é grande, e poderá ter também outros nomes, mas creio que é gerlanda.

Sinónimos de exequível

O fusível

Caro Luís Costa: poder, pode, mas repare que «exequível» é o termo mais comum. Contudo, quando entender, pode cobrar a aposta, já que «factível» e mesmo «fazível» existem igualmente. Convenhamos que este último, «fazível», faz lembrar «fusível», sendo por isso de evitar. Pelo menos junto de electricistas.

Conjugação


Convites

Chegou-me por correio electrónico um convite para o lançamento de um site. Nem quero saber do que se trata, mas diz, como se pode ver na imagem: «Se fores ao RS plaza ou ao Remédio Santo bar e obteres um carimbo, quando chegares ao RS Klub ganhas 1 brinde e 1 bebida!» «Se fores e obteres»? Acham mesmo bem — e isto não é discriminação — porem o segurança, moldavo, a redigir o convite? Ah, não foi o segurança moldavo, foi a stripper russa? Pois não se nota a diferença!
«Fores» é a 2.ª pessoa do singular do futuro do conjuntivo. Logo, também a forma do verbo obter deverá estar conjugada no mesmo modo e tempo: obtiveres. Ora, obteres é uma forma do infinitivo pessoal. Se fores e obtiveres…

Cornaca, elefantário, naire

Da Índia

Um leitor pergunta-me se pode traduzir o inglês mahout por «elefantário». De facto, pode, mas não deve. «Elefantário» vem directamente do latim e significa condutor de elefantes. Mahout tem como étimo um vocábulo do sânscrito, que nós não temos. Mas temos o vocábulo «cornaca», do cingalês, que tem o mesmo significado. José Pedro Machado, em nota a este verbete, regista que os escritores portugueses antigos preferiam usar o termo «naire», do malaiala.
Coisas minhas: a palavra «elefantário» lembra-me «infantário», e esta, agora, traz-me sempre à memória a resposta de uma amiga minha à pergunta sobre como estava o filho. «Está no infantário?», pergunto. «No infectário, queres tu dizer.»

Pontuação

Se eu soubesse

Chamem-me superficial, se quiserem (mas que eu não ouça...), mas a verdade é que dificilmente compraria um livro que tivesse um erro logo no título. Por exemplo, o livro, da autoria da jornalista Judite de Sousa, Olá Mariana. Creio que é elementar o conhecimento de que a vírgula põe em relevo o vocativo, isolando-o: Olá, Mariana. Mariana, estuda! Mas, Mariana, nunca mais aprendes? Elementar, claro, mas é um dos erros mais frequentes em qualquer texto. Exemplifico com um título da revista Visão: «Adeus Jô, olá novelas» (n.º 682, 30.3.2006, p. 96). Deveria ter-se escrito: «Adeus, Jô, olá, novelas.»
Já que falo nisto, convém referir outro erro de pontuação muito comum, que é a falta de vírgula nos cognomes ou apodos: D. Manuel, o Venturoso; José Manuel, o Facadas; Sócrates, o Obliquário; Saddam, o Suíno (vulgo Satã Hussein). Por vezes ainda se vê, em vez de vírgula, hífen: Pedro-o-Cru, Catarina-a-Grande, mas acho completamente abstruso.

Léxico: biruta


É bom saber

A caminho dos montes Hermínios (este ano coroados de neve quase em Maio), vêem-se pela estrada dispositivos destinados a indicar a direcção e intensidade do vento, semelhantes ao da imagem. Já repararam? Têm o nome de biruta (do fr. biroute). Mais prosaicamente, também se lhes dá o nome de mangas de vento. Nas estradas estão habitualmente junto de viadutos e pontes, como é natural. Também se podem ver nos aeroportos, aeródromos, heliportos.

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