Sul do Sudão/Sudão do Sul

Do Sul

      A propósito de tio Google: este senhor, com uma memória prodigiosa mas um pouco desatinado, diz-me que Sul do Sudão é quase tão usado como Sudão do Sul. Ora, tendo em conta que boa parte das ocorrências (somente páginas de Portugal) dirá respeito à independência deste território do Sudão, pergunto a mim mesmo se esta polarização não é enganadora. Explico-me. Na minha ideia, devia usar-se Sul do Sudão apenas quando nos referimos ao território como parte integrante do Estado sudanês. Quando nos referimos ao novo Estado, usaremos Sudão do Sul – à semelhança de Coreia do Sul, Dacota do Sul, Carolina do Sul, Ossétia do Sul...
[Texto 399]

Pensilvânia Holandesa

Não sabem o que perdem

      Isto fez-me lembrar o que escrevi aqui sobre a Batalha de Waterloo (quanto à polémica de Camilo, ainda não reencontrei, e será difícil por enquanto, nada). A região de Lancaster, a 120 quilómetros de Filadélfia, é conhecida como Pensilvânia Holandesa pela grande concentração de residentes de ascendência alemã. Muitos pertencem à seita religiosa Amish, que evita usar a tecnologia moderna e todas as facilidades actuais. Logo, não deveria ser Pensilvânia Alemã? Mas não, não é.
[Texto 369]

Topónimo: Mindanau

De certeza?


      O tufão Fengshen fez estragos nas Filipinas e na ortografia portuguesa: «O gabinete da Protecção Civil filipina registou 26 mortos na ilha de Mindanao (Sul). “Este balanço vai aumentar muito quando dispusermos da lista de vítimas entre os passageiros do ferry”, sublinhou o presidente da Cruz Vermelha» («Tufão causou centenas de mortos», Global/Jornal de Notícias, 23.6.2008, p. 15). Ora, tanto quanto sei, há muito tempo que se escreve Mindanau, não há qualquer necessidade de macaquear o inglês. Já temos sorte que não escrevam «Philippines» ou «typhoon», não é?

Topónimo Casamansa

África, de novo

      Lia-se no último Jornal de Letras, Artes e Ideias: «Paralelamente, o governo chinês contribuiu ainda com 350 mil dólares (270 mil euros) de ajuda humanitária, destinada aos deslocados no norte [sic] da Guiné-Bissau, na sequência do conflito que opôs o exército guineense a um movimento independentista de Casamança» («Bissau acolhe Cimeira da CPLP», JL, 5.07.2006, p. 3). Ora, são muitos os dicionários que recomendam e registam a forma «Casamansa», a começar pelo Vocabulário da Língua Portuguesa de Rebelo Gonçalves. A forma «Casamança» deve ter-nos vindo por influência francesa, língua em que se escreve «Casamance».
      O Diário de Notícias, por exemplo, grafa correctamente a palavra: «Aquele local — próximo da vila de São Domingos, no Noroeste da Guiné-Bissau e junto à fronteira com o Senegal — está cercado há vários dias pelas forças militares de Bissau» («Bombas contra os rebeldes de Casamansa», Manuel Carlos Freire, 14.4.2006, p. 14).

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