15.8.11
Saberão os taxistas
«Entre as coisas que desaparecem e fazem falta, muitas não têm importância nenhuma. Mas o efeito cumulativo de todas elas – que é sísmico – faz com que valha a pena mencionar cada uma. Desde os meus 25 anos que ando à caça de copos de vidro fininhos. Na Rua de São Bento, em Lisboa, no encalço dos restos das fábricas condenadas da Marinha Grande – imaginando-me o anjo vingador dos irmãos Stephens –, dei por duas vezes com a Amália Rodrigues, incandescente e espirituosa, que morava e continua a morar naquela rua, como todos os taxistas de Lisboa sabem e orgulham-se de saber. Disse-me coisas que nunca mais esqueci. Era incapaz de dizer uma coisa que se pudesse esquecer» («Escrito no vidro», Miguel Esteves Cardoso, Público, 15.08.2011, p. 31).
Pode ter que ver com o ouvido, mas eu anteporia o pronome ao verbo, pela atracção exercida ainda, pese embora o afastamento, pelo pronome indefinido: «como todos os taxistas de Lisboa sabem e se orgulham de saber».
[Texto 397]
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