Antes minúsculas

Não merece tanto

      «A audiência, formalmente chamada Conferência de Interessados, durou mais de duas horas e foi conclusiva: Marisa Cruz e João Pinto saíram já divorciados do tribunal e com as responsabilidades parentais para com os dois filhos em comum — Diogo, de 4 anos, e João, de 8 — decididas por acordo entre os pais e homologado por sentença» («João Pinto e Marisa Cruz estão divorciados», Sara Oliveira, Diário de Notícias, 14.11.2013, p. 53).
      Nem a lei lhe dá a honra das maiúsculas — e, se desse, não era razão bastante para fazermos o mesmo.

[Texto 3518]

«Vinho alvarinho»

Pois, mas não

      «Nesse dia, entre dois copos de Alvarinho, aprendi com Álvaro Cunhal mais uma das mil e uma formas de matar o ideal comunista: o culto da personalidade» («Álvaro Cunhal a subir uma escadaria infinita», Pedro Tadeu, Diário de Notícias, 12.11.2013, p. 7).
      Talvez a brincadeira com o nome Álvaro pareça mais eficaz com o nome do vinho com maiúscula inicial, mas está, saiba Pedro Tadeu, errado. O vinho é com minúscula; a casta, com maiúscula.
      «O vinho alvarinho, branco, fresco, pouco alcoólico, leve, amável ao paladar e estimulante, é oriundo de uma casta de uvas trazidas da Grécia em tempos remotos» (Roteiro do Vinho Português, Jaime Batalha Reis. Lisboa: Secretariado Nacional da Informação, 1945, p. 62).
[Texto 3505]

Faixa piritosa

Menos respeitinho

      O Governo prepara-se para lançar no mercado internacional três concessões para prospecção de minério na Faixa Piritosa, localizada na região Sul de Portugal, onde se concentram os mais importantes jazigos nacionais de minério de cobre, zinco, chumbo, mas também de ouro e prata. Este concurso, a lançar muito brevemente pela Direcção-Geral de Energia e Geologia (DGEG), é uma iniciativa inédita no país e é um exemplo da atitude proactiva do Governo face ao relançamento da exploração mineira em Portugal» («Portugal agarra-se à sua riqueza mineira e procura mais investidores», Luís Francisco e Rosa Soares, Público, 6.11.2011, p. 8).
      Vão lá ler, por exemplo, os boletins da Sociedade Geológica de Portugal: nada de letra grelada.

[Texto 641]

Pontos cardeais

Não sopra daí

      «Ainda anteontem, neste Outubro levado da breca, fui um dos peixes imperadores da Praia Grande, boiando pelas vagas adentro, apontando com os dedos dos pés, como os mortos, hesitando entre o ter medo e o dar glória a Deus. O calor é estranho — meio-vento de Espanha, meio-vento de África —, ocupando os dois pontos cardeais que mais nos abafam e irritam: o Leste e o Sul» («Estação só para nós», Miguel Esteves Cardoso, Público, 12.10.2011, p. 35).
      Os hífenes no «meio» não são necessários. Quanto aos pontos cardeais, saiba Miguel Esteves Cardoso que se grafam e continuarão a grafar com minúscula inicial.

[Texto 573]

Ortografia: «terra-nova»

A terra pelo cão 

      O pai da nossa personagem principal pôs «the last Newfoundland back in its bed of shavings». O tradutor verteu «o último Terra Nova na respectiva caminha de aparas de madeira». Quanto a «respectiva», já se deixa ver que é desnecessário. Quanto à raça canina, já duas vezes, pelo menos, tratei da matéria (aqui e aqui). Escrever-se-á correctamente terra-nova, que pluraliza (ah sim, outro erro comum) em terra-novas.
[Texto 339]

«Cartão de cidadão»

Talvez mude agora

      «O cartão de cidadão inclui os números de identificação civil, de edentificação [sic] fiscal, dos serviços de Saúde e da Segurança Social» («Diário da República via cartão de cidadão», C. N., Diário de Notícias, 15.06.2011, p. 17).
      É raro ver a locução bilhete de identidade grafada com minúsculas iniciais, o que é estranho. Talvez se inaugure, com o novo documento, uma forma adequada de o referir. Neste caso, o jornalista distraiu-se apenas em relação à grafia de Diário da República, que no Diário de Notícias é sempre, e bem, grafado em itálico.

[Texto 163]

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