Selecção vocabular

Puro, leal, franco

      «O que nem toda a gente sabe é que “sincero” tem a ver com “cera”. “Sincero” deriva do latim sincerus, que quer dizer “sem cera”. Ora, na Antiguidade clássica, quer no teatro quer em outras manifestações representativas, como cortejos ou pequenas encenações, os actores usavam máscaras feitas à base de cera» (Mafalda Lopes da Costa, Lugares Comuns, Antena 1, 15.04.2011).
      Quando depara com a expressão «manifestações representativas», o ouvinte pensará em muitas outras realidades que não a da encenação, a dramatúrgica. Infeliz escolha de palavras. «Ter a ver» toda a gente agora diz e escreve, nanja eu. «À base de» melhor seria «na base de» ou «com base em». Isto para não deitar fora a «base», porque há outras formas de dizer o mesmo.

[Post 4686]



Como se escreve nos jornais

Má escolha

      «As portas da sala de audiências fecharam-se aos mirones e à imprensa, uma vez que a juíza presidente, Flávia Macedo, considerou ser necessário proteger a identidade das 16 jovens que terão sido abusadas, sequestradas ou roubadas pelo suspeito. Das 16 vítimas, duas ainda são menores de idade» («“Violador de Telheiras” confessa crimes e diz-se arrependido», José Bento Amaro, Público, 25.03.2011, p. 16).
      Se consultarmos um dicionário, vemos que «mirone» tem como sinónimos «espectador» e «observador», «aquele que vê». Mas não é um qualquer espectador: é alguém que vê e, mais particularmente, alguém que olha demasiado ou com curiosidade. Tem sempre — e talvez nenhum dicionário transmita exactamente a ideia — um certo sentido depreciativo. Ora, o público que assiste às audiências dos tribunais (que são sempre públicas, salvo quando a lei ou o tribunal determinar que se façam sem publicidade), independentemente de quem se trate, estão, no fundo, a velar pela justiça e pela democracia, pelo que não me parece bem que se diga que são mirones.

[Post 4613]

Como se fala na rádio

À empreitada

      «Ser um velho do Restelo. De uma pessoa conservadora, antiquada, ultrapassada, parada no tempo, de alguém que resiste à mudança e para quem qualquer empreitada parece impossível de realizar, de alguém que apregoa a desgraça, diz-se que é um velho do Restelo» (Mafalda Lopes da Costa, Lugares Comuns, Antena 1, 24.03.2011).
      Vasco Botelho de Amaral tinha sempre a preocupação, não apenas de apontar o erro, mas de tentar explicá-lo, o que nem sempre é possível, convenhamos. Neste caso, julgo perceber porque foi usado o vocábulo «empreitada» em vez de, por exemplo, «empresa» ou «empreendimento». Como «empresa», como o passo claramente exigia, na acepção de obra ou desígnio levada a efeito por uma ou mais pessoas; trabalho, tarefa para a realização de um objectivo, tem um recorte literário e clássico, é muitas vezes substituído por outro termo; «empreendimento», por seu lado, que passou nos últimos tempos a designar quase exclusivamente a organização formada para explorar um negócio, foi evitado. Não direi, como Fernando Venâncio, que Mafalda Lopes da Costa está a falar para gente já salva, mas não é com erros que se ensina ou informa ou deleita.
      A última vez que aqui referi mais um deslize ouvido naquele programa, um anónimo deixou o comentário, que não publiquei, pois claro, em que afirmava que eu tinha um problema mal resolvido com Mafalda Lopes da Costa. Uma análise de génio, de que não quero continuar a privar os meus leitores. Há-de ser a conclusão de todos os visados (família e amigos) nos meus textos.

[Post 4605]

Como se escreve nos jornais

Ciudad cuna

      «Os primeiros disparos da maior intervenção internacional militar no mundo árabe desde a invasão do Iraque foram feitos por aviões franceses e destruíram tanques líbios na região de Bengasi, cidade-berço da rebelião contra o regime de Muammar Khadafi. Horas depois, navios e submarinos de guerra norte-americanos e britânicos disparavam 110 mísseis Tomahawk contra “20 alvos”, incluindo defesas aéreas e centros de comunicação, todos ao longo da costa» («Começou a Odisseia para derrotar Khadafi», Sofia Lorena, Público, 20.03.2011, p. 3).
      Decerto que haverá mais de uma opinião sobre o assunto, mas, para mim, aquela «cidade-berço» é algo completamente tolo e escusado.

[Post 4587]

Como se escreve nos jornais

De calças curtas

      «[Umberto Eco] Confirma com o interlocutor qual é a língua em que se vai falar. A resposta é o francês, que, aliás, tinha sido solicitado via agente anteriormente. De vez em quando, colocar-se-ão algumas palavras britânicas pelo meio, quando falta a expressão gaulesa exacta» («O terrorista intelectual», João Céu e Silva, «DN Gente»/Diário de Notícias, 5.03.2001, p. 2).
      «Via agente», «palavras britânicas», «expressão gaulesa»... E «colocar», meu Deus...
      E mais: «Ele é piemontês porque eu precisava de o pôr numa época histórica. Seria incapaz de me enfiar nas calças de um estrangeiro, enquanto nas de um piemontês isso é-me muito mais fácil.»

[Post 4525]

«Intenção/intencionalidade»

Isso é muito científico

      Javier Bardem e Josh Brolin deram um beijo na boca durante a 83.ª cerimónia de entrega dos Óscares. A televisão ABC cortou a imagem. «Em declarações ao site AfterElton.com, um dos produtores responsáveis pela 83.ª gala dos Óscares, Bruce Cohen, afirmou não ter existido qualquer intencionalidade de censura durante a captação das imagens» («Beijo de Brolin e Bardem censurado», Irina Fernandes, Diário de Notícias, 4.03.2011, p. 57).
      Não podemos deixar a intencionalidade para os professores de Filosofia e para os juristas? Acho que sim.

[Post 4517]

«Reconstruir/reconstituir»

Crime

      «O Ministério Público (MP) dá por encerrado o inquérito ao desaparecimento do menor no despacho de 11 de Fevereiro. O advogado da família de Rui Pedro, Ricardo Sá Fernandes, disse ontem que para esta acusação contribuiu o trabalho de uma nova equipa da Polícia Judiciária (PJ) do Porto que “conseguiu reconstruir o que se passou nas 24 horas consequentes ao desaparecimento de Rui Pedro”» («Amigo acusado de rapto de Rui Pedro 13 anos depois», Carlos Rodrigues Lima e Rute Coelho, Diário de Notícias, 27.02.2011, p. 2).
      Uma das acepções de reconstruir é «reconstituir», mas o certo é que habitualmente se diz «reconstituir um crime», «reconstituição de crime». E a falta de propriedade com que o adjectivo «consequente» foi usado é evidente. Tanto quanto vejo, consequente apenas significa que se deduz, que segue naturalmente, que vem por consequência (omito as restantes acepções, de nenhum interesse para o caso em apreço). Tire lá o com (con-, aqui): sequente, que (se) segue, que vem ou acontece logo depois; seguinte.
[Post 4497]

Selecção vocabular

O que adverte

      Parece que a regeneração da pátria chegará das ilhas, mas não o bom português: «Segundo apurou o DN, o valor das multas está a ser estudado para ser depois regulamentado, sendo certo que poderão abranger ainda os pais que não compareçam nas instituições de ensino para monitorizarem a situação dos filhos» («Governo dos Açores quer multar pais de alunos problemáticos», Paulo Faustino, Diário de Notícias, 23.02.2011, p. 14).
      Caro Paulo Faustino, não encontrou verbo melhor? Monitorizar é supervisionar, sim, mas vem-me sempre à mente a acepção «rastrear, medir e/ou analisar (dados científicos levantados por aparelhagem específica)», como se lê no respectivo verbete do Dicionário Houaiss.


[Post 4481]

Selecção vocabular

بنغازي, Bengazi 

      «A agitação no Médio Oriente está a tornar-se mais violenta na Líbia e Bahrein, onde as autoridades dispararam contra manifestações, fazendo numerosas vítimas. No reino do Golfo Pérsico a polícia usou ontem balas reais e fez mais de 50 feridos. Na Líbia do coronel Muammar Khadafi já morreram pelo menos 24 pessoas desde terça-feira em protestos registados em Sirte e Al-Baida. Em Bengazi, segunda cidade do país, a sede da rádio foi incendiada» («Líbia e Bahrein endurecem repressão política», Luís Naves, Diário de Notícias, 19.02.2011, p. 31).
      Apesar de, para alguns dicionários, manifestação também ser o conjunto das pessoas que se manifestam, acho que se a polícia tivesse disparado (pretérito mais-que-perfeito do conjuntivo) contra a multidão ou contra manifestantes teria feito (futuro do pretérito composto) mais vítimas. E outra coisa: aquele topónimo, Bengazi, hoje é que está bem grafado. Anteontem, vimo-lo aqui, estava errado: Bengasi.

[Post 4464]

Como se escreve nos jornais

Caça à baleia

      No âmbito da moratória à caça à baleia, decidida na década de 1980 pela Comissão Baleeira Internacional (CBI), o Japão beneficia de uma excepção. Lê-se num artigo da edição de hoje do Diário de Notícias: «Outro meio de contornar a moratória é a declaração de objecção, que o Japão também professa» («Baleeiro japonês regressa a casa», Filomena Naves, Diário de Notícias, 17.02.2011, p. 32).
      As declarações fazem-se ou professam-se? Uma das primeiras acepções de professar, reconhecer ou confessar publicamente, não se adequa ao contexto. Nem nenhuma das outras cinco ou seis que, como verbo transitivo, professar tem. Podia alguém porfiar em que a acepção exercer, praticar se aplica com propriedade. Não me parece. Redacção alternativa, que recomendo mesmo a jornalistas professos: «Outro meio de contornar a moratória é a declaração de objecção, a que o Japão também recorreu.»
      (Relacionado com baleias, neste blogue, ver: 1, 2, 3, 4, 5.)


[Post 4448]

Como se escreve nos jornais

Uma maneira de dizer

      Mais um obituário não assinado no Diário de Notícias. Morreu o chefe (o DN continua a preferir-lhe o galicismo chef, mas no título usou o despretensioso termo «cozinheiro») catalão Santi Santamaría. «O cozinheiro foi ainda autor de algumas polémicas, muito devido à rivalidade com outro chef catalão, Ferran Adrià» («O cozinheiro catalão das sete estrelas Michelin», Diário de Notícias, 17.02.2011, p. 47).
      «Autor de polémicas» é uma maneira de dizer, talvez inadequada. Se tivesse gostado de contar anedotas, chamá-lo-íamos porventura «autor de anedotas»? Fazia afirmações polémicas (ou só provocadoras: «A boa cozinha defeca-se.»), gostava de travar polémicas, de polemicar.

[Post 4447]

Sobre «destabilizar»

Não faz falta


      «A frustração de estar rodeado de crianças que não tinham os mesmos interesses, a ouvir matérias que já conhecia, aborrecia-o e levava-o a destabilizar a aula, por estar aborrecido de ali estar» («Há mais de 60 mil crianças e jovens sobredotados em Portugal», Raquel Tereso, Diário de Notícias, 6.02.2011, p. 18).
      Em rigor, não precisamos de destabilizar nem de desestabilizar, e quem use conscienciosamente a língua decerto que o sabe.

[Post 4406]

Como se escreve nos jornais

Como as garagens


      «Durante a manhã, o jovem realiza vários testes do foro clínico, sendo normalmente o almoço servido pelas 11.45, seguindo-se um período de recolha obrigatório, altura em que regressa à sua cela individual» («Renato Seabra é vigiado 24 horas por dia no hospital», Ricardo Durães, Diário de Notícias, 3.02.2011, p. 50).
      «Período de recolha obrigatório», julga o repórter, Ricardo Durães, que se diz. Mas não.

[Post 4388]

Como se escreve nos jornais

Está pronunciado


      Já aqui tínhamos visto os bombeiros a confirmarem o óbito de duas vítimas de um acidente. Hoje, temos algo semelhante: «Segundo a acusação, o pessoal de emergência médica pronunciou Carlos Castro como morto às 19.18 e, de acordo com o director do serviço de saúde da cidade, as causas da morte do jornalista foram lesões no pescoço e na cabeça, que resultaram em homicídio, apresentando ainda lesões graves na cara e na parte genital feitas por um saca-rolhas» («Renato Seabra entrou algemado e clamou inocência», Ricardo Durães, Diário de Notícias, 2.02.2011, p. 50). Já temos sorte não ter sido uma empregada de limpeza mexicana a «pronunciar» o óbito. E reparem como as lesões no pescoço e na cabeça resultaram não apenas na morte do «malogrado cronista», como também se lê no Diário de Notícias, mas no homicídio. Não é feito para qualquer homicida.

[Post 4384]

Selecção vocabular

Franças e Araganças


      «Um ajuste de contas ou uma vingança poderá estar na origem do homicídio de um português de 38 anos, morto a tiro na madrugada de terça-feira em Pierrelaye, Val-d’Oise, nos arredores de Paris. Cerca das 20.00, um grupo de encapuzados entrou no parque da discoteca Pagode, da qual Paulo V. era co-proprietário, deram-lhe um tiro na cabeça e feriram o gerente antes de se colocarem em fuga» («Emigrante português morto a tiro em discoteca», Joana de Belém, Diário de Notícias, 6.01.2011, p. 19).
      «Ajuste de contas» e «vingança» são sinónimos muito próximos. Tanto que não deviam ser assim dados como alternativas. A imprensa francesa interrogava-se: «Jalousie ? Règlement de comptes ?» A jornalista que traduza. Como os homicidas se colocaram em fuga em vez de se terem mais por-tu-gues-men-te (se quero vir a ser presidente da República, tenho de escrever e falar assim) posto em fuga, aposto que vão ser apanhados. Oxalá. Bagnards ! Connards ! Gros beaufs ! Marlous ! Paumés ! Salopards ! Bordel de Nom de Dieu ! E já está, não me lembro de mais nada. Vou deitar-me, que já é tarde. Eh bien. Ficam os meus queridos leitores brasileiros a tomar conta do blogue. A propósito: depois de uma menor afluência na quadra festiva, o blogue está novamente a ter mais de mil visualizações por dia. Por ordem: Portugal, Brasil, Estados Unidos... Até amanhã.

[Post 4288]

Selecção vocabular

Para nada

      «O Partido Comunista Cubano terá em Abril um novo congresso (os conclaves deviam ser de 5 em 5 anos, mas não se realiza um desde 1997) destinado a preparar Cuba para a próxima geração e uma nova fase política. A documentação de medidas de modernização económica mostra que o regime de Raúl Castro deve optar por um modelo de empresas públicas com dimensão e autonomia, em paralelo a um sector privado de microempresas» («Regime cubano perdoa última condenação à morte», Luís Naves, Diário de Notícias, 30.12.2010, p. 25).
      Se bem que alguns dicionários acolham a acepção, em sentido figurado, de reunião para se discutir algo, a acepção que logo nos acode à mente é a de reunião do colégio dos cardeais, com o fim de elegerem um novo papa. Acresce que, no artigo do Diário de Notícias, o vocábulo não é sequer necessário.
[Post 4257]

Selecção vocabular

Uma faceta mais...


      «Nas cartas que serão licitadas em França revela-se uma faceta mais interior do implacável imperador, que dizia gostar de “mulheres com passado e homens com futuro”. “O meu marido não me ama, adora-me, creio que um dia ficará louco”, escreveu Josephine numa carta datada de 1796 e remetida a uma amiga próxima, Madame Tallien, poucos meses após o casamento com Napoleão» («Íntimo de Napoleão a nu nas cartas de Josephine», António Pedro Pereira, Diário de Notícias, 16.03.2010, p. 56).
      Há uma íntima relação entre interior e íntimo, mas não se confundem, pelo menos nos usos que se lhes dão. E até se podiam carrear para aqui mais alguns: interno, imo e, no limite, esotérico (que é um comparativo em grego e, etimologicamente, significa «mais íntimo»). Interior é relativo à parte de dentro; interno. É verdade que também o usamos referido à alma, ao espírito, mas não é o caso em apreço. Seria então íntimo, que tem origem ou que existe no âmago de uma pessoa; de que participam somente aqueles com que se tem estreita relação de amizade ou familiaridade.

[Post 4200]

Selecção vocabular

Em última instância


      «À porta da instância jurídica de Milão, Fabrizzio Corona, que viu o colectivo de juízes reduzir-lhe a pena inicial, de três anos e oito meses, reclamou inocência. E assegurou lutar “até ao fim” em defesa do seu nome. “Quando se acredita em algo, é o que se deve fazer... Pensava que existia justiça, mas não. Não estou orgulhoso de ser italiano”, atirou o fotógrafo» («‘Rei dos paparazzi’ vai cumprir um ano de prisão», Irina Fernandes, Diário de Notícias, 8.12.2010, 51).
      «À porta da instância jurídica de Milão». Há-de parecer a alguns algo supinamente inteligente — mas é apenas um disparate. Os tribunais estão divididos em tribunais de 1.ª instância e em tribunais de 2.ª instância. Aqueles são os tribunais que julgam o caso, habitualmente tribunais de comarca, estes são os tribunais da Relação, que julgam os recursos. As instâncias superiores são os tribunais de jurisdição superior desde os da Relação até ao Supremo. E faço notar que a organização judiciária civil italiana é semelhante à nossa.
      O artigo começava assim: «O Tribunal de Milão, Itália, condenou o paparazzo italiano Fabrizio Corona a uma pena de prisão de um ano e cinco meses por chantagem.» O Tribunal de Milão (Tribunale di Milano) é um tribunal de recurso, a Corte d’Appello di Milano. A jornalista deveria ter explicado com estas minudências? Evidentemente que não. Devia apenas ter evitado usar, e usar erradamente (porque se trata de um conceito relacional), conceitos complexos. «À porta do tribunal, etc.»

[Post 4199]

Selecção vocabular

Então não


      «Aos 8 anos Tomás aceitou, “de bom grado”, a notícia de mais um dia de gazeta mas para a mãe o encerramento da escola básica na Guarda “causa transtorno”» («“Dia em grande para inventar brincadeiras”», Amadeu Araújo, Diário de Notícias, 1.12.2010, p. 15).
      Fazer gazeta não é faltar às aulas ou ao emprego? Então, está incorrecto, pois a criança não faltou — a escola é que estava fechada.

[Post 4148]

Como se escreve nos jornais

Epíteto bacoquinho


      «Actriz Sofia Nicholson, que integra o elenco principal da novela “Espírito Indomável”, em exibição na TVI, sofreu um aparatoso acidente, ontem, quando circulava na CREL, em direcção a Cascais» («Actriz Sofia Nicholson ferida em despiste na CREL», Luís Garcia, Jornal de Notícias, 13.11.2010, p. 19).
      Aparatoso acidente... «Não há grandes semanas que o meu amigo e quase conterrâneo, o grande escritor Aquilino Ribeiro, num artigo do Século, apanhou pelas orelhas o aparatoso, epíteto bacoquinho com que o escrevente vulgar e o falador vulgar qualificam desastres de automóvel. Se aparatoso quer dizer pomposo, só em desastre propositado, feito de encomenda, com despesas de enterro incluídas, coroas e flores, se admite pompas. Caso para crer que desastre aparatoso não é humilde como os de burro, mina ou andaime. É desastre de primeira classe, com a vaidade humana despendida em capotas pelo ar e outros aparatos» (A Língua Portuguesa, João de Araújo Correia. Lisboa: Editorial Verbo [s/d, mas de 1959], p. 41).

[Post 4075]

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