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Mais uma oportunidade

      Foi o meu primeiro texto de hoje, sobre a inépcia jornalística e a insensibilidade de paginadores que não grafam correctamente CO2. Para acabar o dia ainda sob o mesmo signo, devo referir que 2011 será o Ano Internacional da Química. A partir de Junho, a Sociedade Portuguesa de Química (SPQ) vai disponibilizar no seu sítio todas as revistas científicas editadas desde 1905 através dos Periódicos de Química Portugueses, num total de 24 mil páginas. Com a cultura científica pelas ruas da amargura, decerto que não são apenas os jornalistas que devem conhecer mais em todas as áreas do saber científico, mas todos nós. Eles, contudo, deviam estar na vanguarda.
[Post 4242]

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Queremos saber


      Renasceu o Clube de Matemática da Sociedade Portuguesa de Matemática (SPM), projecto que devemos acompanhar de perto. Até porque, afinal, como revela Nuno Crato, da SPM, «o primeiro clube deste género em Portugal foi fundado em 1942. E o mais curioso é que não foi lançado numa faculdade de ciências, nem numa escola de engenharia. Apareceu na Faculdade de Letras de Lisboa, porque os estudantes de Línguas e Literatura achavam interessante completar a sua formação — por isso não se queriam esquecer da Matemática e desejavam estar a par dos grandes temas de ciência».

[Post 4214]

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Algo se aprende


      De vez em quando, é bom ver o que anda a fazer a Direcção-Geral de Tradução da Comissão Europeia. Melhor, a Dirección General de Traducción de la Comisión, pois falo dos espanhóis. Publicados ambos em Agosto, temos o Guía del Departamento de Lengua Española I (Redacción y presentación) e o Guía del Departamento de Lengua Española II (Problemas y dudas de traducción).

[Post 4203]

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Sob o signo pessoano


      Embora tivéssemos mais que ler com a biblioteca de Pacheco Pereira, é a biblioteca de Fernando Pessoa que a partir de agora vamos ter à nossa disposição. São cerca de 1140 obras, disponíveis em PDF e JPG e na íntegra. Numa consulta rápida, comprovei que não há nenhum dicionário da língua portuguesa, o mais valioso instrumento de trabalho aqui no Assim Mesmo, que, com este texto, chega aos 4000, a dois meses de fazer cinco anos.

[Post 4000]

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Para que saibam


      Não queria pompear os meus vastíssimos conhecimentos do que se faz em relação ao estudo e divulgação da língua portuguesa — mas tem de ser, para vosso bem. Ainda aqui não falei do Consultório Linguístico da Antena 1, com a participação de Aníbal Pedra, da Sociedade da Língua Portuguesa, que vale a pena ouvir.

[Post 3966]

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Uma nicada de nada


      Mafalda Lopes da Costa prossegue, no seu recomendável programa Lugares Comuns, na Antena 1, o labor de divulgação de expressões da nossa língua. Hoje foi a vez da expressão ser o pião das nicas. «Ser um pião das nicas e o jogo do pião. Ser um pião das nicas quer dizer ser um bode expiatório, ou seja, o desgraçado sobre o qual recaem todas as culpas, a vítima de todos os malogros e maldades, o sacrificado por excelência. Pião das nicas. A expressão nasce do antigo jogo do pião, em que se escolhia um pião velho, ou de pior qualidade, parcialmente partido ou lascado, pião este que servia de alvo para os outros piões. Ou seja, o objectivo do jogo era acertar com o seu pião neste pião das nicas e ganhava quem mais ferroadas desse no pião das nicas. A razão pela qual se chama a este pião o pião das nicas é porque “nicas” quer dizer “pequeno, insignificante”. A palavra é também usada para designar as crianças, as nicas. Pião das nicas, a vítima do costume.»
      Será como saber o que nasceu primeiro, se a galinha se o ovo, mas o certo é que nicar significa «picar com o bico, dar bicadas», e, no âmbito do jogo do pião, «arranhar ou rachar um pião com o bico de outro pião», pelo que se chamará pião das nicas porque é nicado, picado por outro pião.

[Post 3959]

Revisão

Solércia me parece


      Serigaita. Sirigaita. Bem, começa-se por nem sequer se saber ao certo qual o étimo de serigaita. «Talvez do asturiano xirigata “vozerio, algazarra”», avança, corajoso, o Dicionário Houaiss. «De origem obscura», assegura o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora. Depois, parece-me muito mais natural, mais fácil, a prolação de «serigaita», pela dissimilação introduzida. Agruras de autor? Nada disso: colegas atrevidos.
      A propósito de prolação, conhecem o Prontuário Sonoro da RTP? Ei-lo aqui. Não têm de quê.

[Post 3951]

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O cão encadernado


      O leitor Paulo Araujo mandou-me o artigo acima sobre a reedição do Dicionário Analógico da Língua Portuguesa, de Francisco Ferreira Azevedo, pela Lexikon Editora Digital. A segunda boa notícia é a de que até final do ano a obra poderá ser consultada gratuitamente na Internet.
      É escusado enaltecer a importância dos dicionários analógicos. Sobre o dicionário do padre jesuíta Carlos Spitzer (1883–1922), ler este texto.

[Post 3551]

Léxico: «banco de neve»

Mais um depósito


      «Inquietar-se, concentrar-se, ler, olhar, desejar — tudo eram coisas a evitar em favor de um lento impulso de associação, enquanto os minutos se acumulavam como um banco de neve e o silêncio se adensava à sua volta» (Expiação, Ian McEwan. Tradução de Maria do Carmo Figueira e revisão de Ana Isabel Silveira. Lisboa: Gradiva, 5.ª ed., 2008, p. 175).
      Bancos há muitos, como já aqui vimos. Esta obra até tem mais um: «Determinou-se que havia luz suficiente das estrelas e do banco de nuvens que reflectia as luzes da cidade mais próxima» (ibidem, idem, p. 197). À conta do banco de neve, descobri aqui um Glossário Internacional de Hidrologia multilingue. É mais um recurso para tradutores e revisores.

[Post 3356]

Lições de Legística

E eles lêem?


      «Relativamente ao vocabulário geográfico, nomeadamente toponímico, deve utilizar-se, como regra geral, a palavra portuguesa, mesmo nos casos menos conhecidos (exemplo: cidade de Francoforte), a menos que a palavra portuguesa possa tornar-se incompreensível para a generalidade dos destinatários, pelo que, nestes casos, deve escrever-se a palavra estrangeira entre parênteses e em itálico [exemplo: na cidade de Lila (Lille)].» Onde é que isto está escrito? Na página 25 da obra Regras de Legística a Observar na Elaboração de Actos Normativos da Assembleia da República, da autoria de Luísa Colaço e Maria da Luz Araújo, e publicada pela Divisão de Edições da Assembleia da República em 2008. Vale a pena descarregar e ler.

[Post 3186]

«Volp»


Ei-lo


      O Assim Mesmo esteve ontem presente, por interposta pessoa, na palestra de Evanildo Bechara na Academia Brasileira de Letras. O leitor Paulo Araujo assistiu e pôde comprovar como aquele filólogo, responsável pela equipa que reviu o Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa, garantiu, «com muita ênfase, que todo o trabalho foi feito no estrito cumprimento da letra do Acordo e mais, onde ficou margem a dúvida, ou não está especificamente citado, ou não se enquadra nas regras, ainda assim valeu a tradição do Acordo de 1945, que o Brasil não adotou na época, mas agora, ironicamente, rende-se ao que ali foi estatuído. Portanto, ao que me parece, será aceito em Portugal, sem objeções».
      Como podemos ler no artigo do Estadão, enviado por Paulo Araujo, para o professor de Português e lexicógrafo da Academia Brasileira de Letras Sérgio Pachá, o vocabulário está a ser visto como um Messias. Para nós, será, suspeito, um D. Sebastião.

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Mui•to bem



      O que um simples dicionário de menos de 5 euros fazia, e muito bem, é feito agora também pela MorDebe, uma base de dados com palavras do português: informar sobre a partição das palavras na escrita. Utilíssimo.




Espanhol do Uruguai


Coisas do Uruguai


      Aposto que alguém, por esse mundo fora, me irá mentalmente agradecer por indicar aqui este léxico com 1000 palavras do espanhol do Uruguai.

Banco de neologismos

Consulte o saldo     


      Com bancos de esperma, de óvulos, de gâmetas, de leite humano, do tempo, de jardim, de neve, de nuvens, de sementes, de bens doados, de sangue, alimentares, farmacêuticos, entre outros, já era tempo de haver um banco de neologismos. A língua espanhola já o tem. Ver aqui.

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