Variedades de azeitona

Só conhecem a galega

      Alguém (espero que inglês) escreveu isto num motor de busca: «Variedades de maçans portuguesas». E lá veio ter ao Assim Mesmo. E hoje perguntaram-me se as variedades de azeitona se grafam com maiúscula inicial. «O azeite x é produzido com azeitonas Galega, Cobrançosa e Picual […].» Bem, se pudermos comparar (podemos?) com as castas de uvas, então grafar-se-ão com maiúscula inicial. Quanto ao título: os dicionários só registam o termo «galega» nesta acepção. No Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora: «nome comum a algumas variedades de plantas (ou os seus frutos) cultivadas em Portugal, como a oliveira, a couve, a videira, etc.».

[Post 4651]

«Holocausto», de novo

Ainda vai pegar

      Parece que passou a ser doutrina no Diário de Notícias: «Holocausto» é sempre com minúscula inicial: «Se se espera que o meu livro esclareça quais as origens e o processo do racismo; como se constroem os falsos protocolos ou o caso Dreyfus, então é revelador. Já agora conto que recentemente, em Jerusalém, um arquitecto que escapou ao holocausto veio dizer-me que só agora é que compreendeu como é que o anti-semitismo se formara. Eu construí uma personagem miserável, um mentiroso, que não tem nada a ver com o que penso» (resposta de Umberto Eco a uma pergunta de João Céu e Silva, em entrevista para o Diário de Notícias. «O terrorista intelectual», «DN Gente»/Diário de Notícias, 5.03.2001, p. 5).
      (O maior esforço do jornalista, que poucos, os ecomaníacos e os outros, lhe agradecerão, foi mostrar Eco como uma pessoa antipática e até um pouco tonta. É para rir — e lamentar.)

[Post 4524]

«Holocausto»

Horror

      «Que sucederia se a cena com Galliano se tivesse passado nos EUA e fosse parar ao Supremo? Parece claro que este só poderia considerar que o designer tem todo o direito, mais a mais estando com os copos, de dizer num restaurante que acha lindamente gasear judeus — naquilo que pode ser entendido como uma provocação irónica. Mas não é certo. Porque existe, no chamado mundo ocidental, uma zona de exclusão para o que possa ser considerado um ataque aos judeus ou menções não horrorizadas do holocausto, exclusão essa que contrasta aparatosamente com a licença para insultar e até ameaçar outros “grupos” ou indivíduos» («Deus e John Galliano», Fernanda Câncio, Diário de Notícias, 4.03.2011, p. 9).
      Lembram-se de um texto de opinião de Isabel do Carmo em que a palavra assinalada a vermelho também tinha sido grafada com minúscula inicial? Nessa altura, o Público decidiu incluir a seguinte da nota da redacção: «NR — O PÚBLICO não alterou a grafia deste texto, designadamente o facto de a autora escrever Holocausto com caixa baixa.»


[Post 4519]

Uso da maiúscula

Historietas

      «O Convento das Clarissas de Évora, da ordem franciscana, foi fundado pelo bispo D. Vasco Perdigão em 1492 e na sua clausura esteve recolhida a princesa D. Joana, a Excelente Senhora, malograda noiva de D. Afonso V. Para a história ficou um rico património artístico, monumental e gastronómico, este último compilado num receituário conventual que as freiras conservaram durante séculos para seu uso privado» («Évora recupera receita de pastéis conventuais “perdida” há 100 anos», Luís Maneta, Diário de Notícias, 20.02.2011, p. 26).
      Agora é assim, a História é uma coisa menor. A pequena história. Esta gente nem precisa de novo acordo ortográfico.

[Post 4474]


Acordo Ortográfico

Ousada, temerária, etc.

      A 1 de Janeiro, a RTP adoptou as novas regras ortográficas. «Não tenho a mínima dúvida de que isto também é serviço público. Ao antecipar-se, a RTP demonstra só que é ousada e que não tem medo de mudar», declarou José Alberto Carvalho ao Diário de Notícias. Houve formação, pois claro, que durou «algumas semanas». «“Não tinha um carácter obrigatório, mas julgo que passaram por lá cerca de 80% a 90% da totalidade dos jornalistas da empresa. Além disso, disponibilizámos um conjunto de ferramentas na Intranet da empresa”, explicou ao DN José Alberto Carvalho» («“Isto também é serviço público”, diz director de Informação da RTP», Márcia Gurgel, Diário de Notícias, 8.02.2011, p. 50).
      Que grande ousadia, caro José Alberto Carvalho. «Intranet» com maiúscula inicial, cara Márcia Gurgel? Hum... (Este termo ainda não ficou na rede de Mário Azevedo.)


[Post 4413]

Revisão

Cão com pulgas


      «Uma praga de Escaravelho da Palmeira está a ameaçar mais de três mil árvores, públicas e privadas, no concelho de Cascais» («Praga ameaça palmeiras», E. N., Correio da Manhã, 23.11.2010, p. 21).
      E. N. também escreve «o meu Cão tem Pulgas»? Assim, até preferia que tivessem escrito em latim: Rhynchophorus ferrugineus. Revisão, mais uma infausta vez. Ou a falta dela.

[Post 4122]

«Cocktail Molotov»

Novo mês, nova regra


      «A polícia entrou em confronto com centenas de manifestantes que respondiam com pedradas e cocktails molotov» («Percorrer o mundo para fazer a guerra à NATO», Hugo Filipe Coelho, Diário de Notícias, 18.11.2010, p. 7).
      Até nem me parece mal que se escreva com minúscula, mas reparem que um mês antes haviam grafado com maiúscula: «Petardos, pneus, gás lacrimogéneo ou cocktails Molotov são alguns dos artefactos usados por grupos activistas nas cimeiras da NATO e Portugal não deverá ser excepção, estando a PSP a treinar para os enfrentar» («PSP prepara-se para confrontos com activistas anti-Nato», Diário de Notícias, 15.10.2010, p. 25).

[Post 4102]

Nome de doenças

Estas chagas


      Nada de corporativismos: de cinco em cinco anos, estou a encontrar um revisor que escreve «hífen» sem agá... O último foi no sábado. Ia sendo acometido de uma apoplexia. Bem, mas eu não queria falar disto, antes de um erro em que os jornalistas e os revisores do Correio da Manhã caem reiteradamente: «Uma doença subnotificada em Portugal, e sobre a qual a DGS quer ter informações sobre a sua prevalência, é a Doença de Chagas — transmitida através das baratas —, patologia que levou a Organização Mundial de Saúde (OMS) a lançar um alerta sobre a sua propagação» («D.G. Saúde vai vigiar doenças tropicais», Cristina Serra, Correio da Manhã, 13.09.2010, p. 18).
      O Dr. Carlos Ribeiro Justiniano das Chagas, bacteriologista brasileiro, merece ter ali o seu nome, naturalmente, mas «doença» não merece honras de maiúscula.

[Post 3878]

História/história

Voluntariosos


      «Quando em 1957 se voluntarizou para frequentar uma escola que até à data só aceitava alunos brancos, Jefferson Thomas estava longe de imaginar que o seu nome iria ficar para a história» («O homem que lutou pelo fim das barreiras raciais no ensino», C. R. F., Diário de Notícias, 8.09.2010, p. 41). «Mas Adelino Granja não está satisfeito com algumas mudanças encetadas. Até as que implicam pormenores, como o símbolo ou o hino da bicentenária Casa Pia. “Acho que a maioria dos ex-alunos não concordaram com a ideia de mudar o símbolo ou o hino. Fazem parte da História da Casa Pia» («Quem viveu a Casa Pia por dentro teme pelo seu futuro», Rute Coelho, Diário de Notícias, 8.09.2010, p. 2).
      «Voluntarizou»! Perdão: «se voluntarizou», que o verbo é pronominal e eu estou perplexo. Nem voluntariar-se, que chega e sobra, está dicionarizado em todos os dicionários. E história vs. História? O calor continua a atacar-lhes as meninges.

[Post 3860]

Ortografia: «Margem Sul»

Na margem errada

     
      O Ignoto escreveu «margem Sul». Veja lá que não é assim. Que no Diário de Notícias também tinham essa dúvida, afirmou em defesa (?) o revisor antibrasileiro. Esqueceu-se apenas de dizer como a resolviam. Contudo, agora, lembrei, escrevem «Margem Sul». Às vezes, e mal, também «Margem Sul do Tejo». É um topónimo, logo deverá grafar-se Margem Sul. No Abrupto, de Pacheco Pereira, encontrei este texto: «Dia na Margem Sul, assim mesmo, com maiúsculas. Porque não é a margem sul do Tejo, mas a Margem Sul da história social e política portuguesa, uma combinação sem paralelo do único projecto industrial português do século XX com dimensão europeia, de uma cultura operária que não existe em mais lado nenhum, de uma população que forjou a sua identidade contra o salazarismo tendo sido primeiro anarquista e sindicalista e depois comunista.»

[Post 3765]

Usa das maiúsculas

Decidam-se


      «Para além [sic] disso, os britânicos e franceses lembravam-se dos seus 2 400 000 soldados mortos e dos 5 200 000 feridos na Primeira Guerra Mundial» (A Segunda Guerra Mundial, Gerhard Schreiber. Tradução de Luís Covas e revisão de Eda Lyra e Texto Editores. Alfragide: Texto Editores, 2010, p. 15). «Numa palavra, o Führer encenou uma confusão para tentar ainda dividir a aliança entre Britânicos, Franceses e Polacos» (idem, ibidem, p. 28). «Para poupar “sangue”, os alemães tinham feito pressão no sentido de uma rápida intervenção dos soviéticos» (idem, ibidem, p. 33). «Globalmente, Britânicos e Americanos, que apostavam na protecção através da navegação em comboio e no bloqueio marítimo, venceram a batalha naval sobretudo graças ao aperfeiçoamento de inovações tecnológicas como o radar e o sonar, ao domínio dos ares, à sua possante indústria de construção naval, bem como à eficaz decifração das comunicações via rádio inimigas» (idem, ibidem, p. 47).
      E assim até ao fim da obra, mas acho que os leitores já perceberam: não têm, tradutor e revisora (e mais esta, que, numa repartição da culpa, tem 75 %), uma ideia muito definida sobre a questão, pelo que foram ensaiando alternativas, e o leitor que se amole.

[Post 3758]

Alcunhas

O problema de sempre


      «As suspeitas são dirigidas a um homem de alcunha ‘Teorias’, de 47 anos, que anteontem esteve perto de ser linchado por alguns populares na praia da Fonte da Telha, Almada» («“Obrigava-os a masturbá-lo”», João Tavares, Correio da Manhã, 30.07.2010, p. 11).
      «Os encarnados obtiveram o passe do médio, conhecido no Brasil com a alcunha de ‘queniano’, no defeso da época passada, por 7,5 milhões de euros, mas venderam 50 por cento a um grupo de empresários, entre os quais o anglo-iraniano, [sic] Kia Joorobchian» («Ramires. Chelsea dá 20 milhões», António Pereira, Correio da Manhã, 22.07.2010, p. 34).
      Se o nome substitui o nome, se por vezes até se junta, legalmente, ao nome, como é que se pode escrever com minúscula inicial? Mais uma prova da falta de atenção e reflexão de editores, jornalistas e revisores.

[Post 3749]

Nome de entidades

Pensem


      «“Sabemos que uma grande quantidade de petróleo se dispersou e biodegradou”, revelou a directora da agência de investigação oceânica e atmosférica (NOAA)» («Maré negra dispersa-se rapidamente no golfo do México», Ana Fonseca Pereira, Público, 29.07.2010, p. 17).
      Este é um erro para o qual já aqui chamei a atenção: o nome, traduzido ou na língua original, de qualquer entidade é grafado com maiúsculas iniciais. Creio que são trapalhadas que vêm da Lusa e que alguns jornais aceitam acriticamente. No Público, também se deviam recordar que já lhe chamaram Administração Nacional Oceânica e Atmosférica.

[Post 3743]

Fases da Lua

Vamos lá alunar


      «Com a maré a subir e depois de uma noite de Lua cheia, os aliados [sic] desembarcaram nas várias praias que bordejam as costas da Normandia. Foi no dia 6 de Junho de 1944, entre as 06.30 e as 07.30, que 135 mil soldados e vinte mil veículos entraram na França ocupada pelos nazis para libertar a Europa de um dos mais terríveis episódios da sua história» («Em Arromanches, na Normandia», Maria de Lurdesvale, Diário de Notícias, 25.07.2010, p. 9).
      É um erro que tenho visto também em livros revistos. A Lua, como poucas vezes se pensará, tem muitas mais fases, mas apenas se atribui nome — pelo menos na língua portuguesa, que em algumas outras não é assim — a quatro: lua cheia (ou plenilúnio), lua nova (ou novilúnio), quarto minguante (ou decrescente) e quarto crescente. E é assim como eu acabei de escrever que se devem grafar, porque então já não estamos a referir-nos ao astro, esse sim com maiúscula inicial, mas a fases do astro. Ou Maria de Lurdesvale também escreve «Plenilúnio»?

[Post 3731]

«Terras Altas»/«terras altas»

Altos e baixos


      «A história passa-se nas terras altas e envolve uma pequena aldeia [Brigadoon] que pelos anos de 1700 era um minúsculo oásis numa Escócia infestada de bruxas e feiticeiras malévolas» («Ilhas de Bruma», Nuno Pacheco, P2/Público, 28.06.2010, p. 3).
      Como tudo anda trocado! No Correio da Manhã, escrevem que «o mau tempo volta a assolar Portugal Continental e a Madeira», prevendo-se que «a velocidade do vento possa atingir 70 quilómetros/hora, com rajadas de 110 nas Terras Altas».

[Post 3648]

Alta/Baixa de uma cidade

Já que fala nisso


      A leitora Joana B. pretende saber o que acho de se grafar, habitualmente, com maiúscula o vocábulo «baixa» para designar a parte baixa de uma cidade. Acho perfeito: é um topónimo, e estes são grafados com maiúscula inicial. Pena é que ainda não tenha entrado bem na cabeça de quem escreve, e particularmente dos jornalistas e tradutores. E mais: se vai sendo (com muitas, muitas excepções) habitual, vai-se esquecendo que se tem de fazer o mesmo com o antónimo: Alta. Mas vai-se vendo: «E para proteger a imagem simbólica da torre, que domina o topo da colina da Alta de Coimbra, foram colocados painéis gigantes que cobrem as quatro fachadas e que reproduzem, de forma fidedigna, a imagem do monumento» («Coimbra. A torre da Universidade como nunca a vimos antes», André Jegundo, «Cidades»/Público, 16.05.2010, p. 10). «Pocheiras e suas taças, “bucha” de iguarias várias, vinho a retalho, loureiro à porta — eis alguns traços da Rota das Tabernas de Coimbra, desde a zona de Santa Clara e Monte Arroios à Baixa e Alta da cidade, espaços de um passado remoto que, desde ontem, ganham visibilidade mediática e um novo “mapa” turístico» («27 tascas elevadas a destino cultural», Paula Carmo, Diário de Notícias, 27.02.2009, p. 28).
      Há quem pense, não duvido, que só se aplica (!) à cidade de Lisboa; outros sabem que não: «O regresso dos eléctricos à Baixa do Porto acontecerá no âmbito da Semana Europeia da Mobilidade, que se assinala entre os próximos dias 16 e 22, tendo a Sociedade de Transportes Colectivos do Porto (STCP) investido um montante entre os 700 mil e o milhão de euros para instalar os novos carris, seguindo as indicações de um estudo realizado na fase preparatória da Capital Europeia da Cultura» («Carros eléctricos regressam à Baixa do Porto durante a semana da mobilidade», Jorge Marmelo, Público, 10.09.2007, p. 18). «As figuras de Hillary Clinton e Barack Obama, em versão boneco articulado gigante, dão voltas e voltas pela Baixa de Filadélfia, acenando mecanicamente à multidão do banco de trás de um descapotável pintado com esta mensagem: “Que ganhe o melhor homem ou mulher”» («Filadélfia: buzinar por Hillary, telefonar por Obama», Rita Siza, Público, 21.4.2008, p. 16). «O proprietário de uma livraria foi assaltado, ao fim da tarde de sexta-feira, em plena Baixa da cidade de Vila Nova de Santo André, no passeio das Barcas, quando se preparava para depositar numa agência bancária o dinheiro do movimento desse dia, estimado em alguns milhares de euros» («Assalto na Baixa de Vila Nova de Santo André», Público, 21.4.2008, p. 21). «Os milhares de fãs que acorreram à Baixa de Los Angeles levaram a peito o tema de showneral anunciado desde a véspera: vestidos de luto, os que privilegiavam um sóbrio tributo, ou, os que mais investiram na vertente do show, imitando o ídolo, com óculos espelhados e casacos de couro vermelho» («Um showneral para dizer adeus a Jackson», Rita Siza, Público, 8.07.2009, p. 23). «Mais assaltos e vandalismo na Baixa de Setúbal» (Roberto Dores, Diário de Notícias, 23.03.2009, p. 20).
      Quanto aos dicionários: o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora regista para «baixa»: «parte baixa de uma cidade que é normalmente o centro administrativo ou comercial»; e para «alta»: «parte mais elevada da cidade». «Que é normalmente zona residencial», poderia acrescentar? O Dicionário Priberam da Língua Portuguesa regista para «baixa»: «Parte mais funda duma povoação. (Neste caso com inicial maiúscula.)»; e para «alta»: «Designação vulgar da parte alta de uma povoação e das pessoas da maior categoria.» Ora, neste verbete também deveria acrescentar-se: «(Neste caso com inicial maiúscula.)» E, apesar de histórica e sociologicamente talvez se justificar, eu não misturaria numa mesma acepção os aspectos topográficos com os aspectos sociais.

[Post 3608]

Sol/sol

Minudências gráficas


      «A exposição descuidada ao sol danifica seriamente a pele» («O sol na cidade», Vera Saldanha, Notícias Magazine, 6.06.2010, p. 74). «Contudo, neste dia, tendo em conta que era sábado de manhã e estava um dia de Sol, ele não estava tão bem arranjado» (O Rapaz do Pijama às Riscas, John Boyne. Tradução de Cecília Faria e Olívia Santos e coordenação e revisão da tradução de Ana Maria Chaves. Alfragide: Edições Asa II, 7.ª ed., 2010, p. 66).
      É somente um pormenorzinho da língua, mas como é triste comprovar que, por vezes, se escreve melhor nas publicações periódicas do que nos livros.

[Post 3600]

Nome de doenças

É assim


      Já aqui referi várias vezes o erro que consiste em grafar com maiúscula inicial o nome de doenças. Há jornais mais atreitos, como o Correio da Manhã, mas tenho-o visto em todo o tipo de texto. Há também, contudo, exemplos correctos: «Há apenas 11 centros de reabilitação respiratória para as mais de cem mil pessoas que sofrem de doença pulmonar obstrutiva crónica (DPOC) em Portugal, alertou a Associação Respira, que apela ao alargamento destes serviços a mais unidades hospitalares» («Centros de reabilitação são insuficientes», Diário de Notícias, 31.5.2010, p. 13).

[Post 3559]

Sol/sol

Pouco solar


      «Uma fraca luz de um cinza-azulado iluminava o espaço, graças a uma enorme janela por detrás da área da recepção que deixava entrar um Sol fraco, proveniente de um jardim húmido e esquecido no pátio» (Memória de Tubarão, Steven Hall. Tradução de José Remelhe e Luís Santos. Queluz de Baixo: Editorial Presença, 2009, p. 140).
      Deus nos livre de o Sol, com núcleo central, fotosfera, camada inversora, coroa solar e camada emissora de luz zodiacal, nos entrar assim pela casa. Matava-nos. Nesta tradução, há outros problemas solares: «O guia informa que esta baía ao pôr-do-sol é um dos locais mais românticos de todas as Cíclades, e refere ainda, de uma forma surpreendentemente franca, que é um sítio fantástico para se ter relações sexuais ao ar livre» (idem, ibidem, p. 127).

[Post 3537]

Uso da maiúscula

Pequeno


      «Depois da guerra, foi sugerido que se deixassem as ruínas de Estalinegrado tal como estavam, como um eterno monumento à derrota do Fascismo» (O Que Faço Eu Aqui?, Bruce Chatwin. Tradução de José Luís Luna e revisão de Carlos Pinheiro. Lisboa: Quetzal Editores, 2009, p. 208).
      Mas os nomes de movimentos estéticos, filosóficos, políticos, doutrinários grafam-se com minúscula inicial: classicismo, comunismo, fascismo, marxismo, nazismo, romantismo...
      A propósito: como pronunciam os meus leitores a palavra? Com o a fechado (â) ou aberto?

[Post 3473]

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