Frase interrogativa

Interrogo-me


      «— Não faças isso. Que se lixe a física teórica. Vem fazer um doutoramento comigo. Presumo que ainda não o tenhas?» (O Fim do Senhor Y, Scarlett Thomas. Tradução de Inês Castro e revisão de Duarte Camacho. Lisboa: Círculo de Leitores, 2008, p. 34).
      Só me pergunto, como já o fiz em relação a outra tradução, porque é que aquela frase é interrogativa. Se a tradutora e o revisor também se interrogaram, então não chegaram à conclusão a que eu cheguei. Chegaram, sim, à conclusão a que chegou Jorge Candeias. Mesmo que admitisse que, neste caso concreto, a frase deveria ser pronunciada como se tratasse de uma interrogativa, o facto de só poder utilizar, para o mostrar, o ponto de interrogação torná-la-ia incorrecta. Há uma terceira via?

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Frase interrogativa

Discutam no fórum


      Ned dá as boas-vindas ao rei Robert Baratheon, senhor dos Sete Reinos: «— Confio que tenhais apreciado a viagem, Vossa Graça?» (A Guerra dos Tronos, George R. R. Martin. Tradução de Jorge Candeias e revisão de Idalina Morgado. Parede: Saída de Emergência, 3.ª ed., 2009, p. 43).
      Só me pergunto é porque é que aquela frase é interrogativa. Se o tradutor e a revisora também se interrogaram, não chegaram à conclusão a que eu cheguei. Não é a primeira vez que aqui denuncio este erro. Não é raro uma frase interrogativa em língua inglesa não poder ser do mesmo tipo (há quatro tipos: declarativa, interrogativa, imperativa e exclamativa) em português. Nem sequer interrogativa indirecta.

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