Iliteracia

Não diga isso


      Entrevistado por João Ramalhinho, repórter da Antena 1, para o programa Portugal em Directo, Nuno Franco, vice-presidente da direcção da associação Renovar a Mouraria, falou da 1.ª edição do Rosa Maria, o jornal da Mouraria publicado por aquela associação. Um dos objectivos, afirmou, é «fazer com que as pessoas sintam cada vez mais auto-estima pelo bairro». «Auto-estima»? Então não é pelo bairro... Prometo, ainda assim, que vou ler o jornal, logo que apanhar um exemplar.

[Post 3615]

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Incómodos


      Um condómino, subdirector de um banco (e é o menos importante aqui no prédio), afixou um papel no átrio a pedir desculpa pelo «incómado» das obras que vai fazer no andar. Mas este, apesar da licenciatura no ISCTE e das pós-graduações, é um pobre diabo, que pouco incomodará o mundo com os seus escritos. Pior são os jornalistas, alguns jornalistas. Há um, esqueci-me agora do jornal para que trabalha, a quem se corrige sistematicamente «prelogamento», «prelongado», «prelongar». Há-de ser como os pasteleiros, que, fartos dos cheiros e da visão diária dos bolos, não provam o que fazem.

[Post 3367]

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E cá?

      «Segundo dados do Centro Europeu de Educação [CEE]», escreve hoje no Público o encenador Fernando Mora Ramos, «oito por cento dos licenciados não consegue na Itália usar a escrita convenientemente. Em Portugal, qual será a percentagem? Será sequer possível vir a saber? Mais grave do que isso, 21 licenciados em 100 não atingem o nível mínimo de decifração de um texto. O mais longe que vão, lendo instruções de uma bula, é intuir as contra-indicações da aspirina. Mas não mais. E acrescenta o estudo: um licenciado em cinco não é capaz de resolver uma ambiguidade lexical e os cem livros que tem em casa serviram-lhe apenas para tirar o diploma» («Por que é que não tenho aulas de Português?», Público, 21.12.2009, p. 31).

[Post 2925]

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