Graus dos adjectivos

Isto é estranho


      Como já vi este erro, nos últimos 12 meses, pelo menos uma dúzia de vezes, creio que está na altura de falar dele.
      «— Claro que sei — disse Bruno, com um aceno, porque havia sempre muitas visitas lá em casa — homens com uniformes fantásticos, mulheres com máquinas de escrever, das quais ele tinha de manter as suas mãos sujas afastadas — e elas eram sempre muito bem educadas com o pai e diziam umas às outras que ele era um homem no qual deviam pôr-se os olhos e que o Fúria tinha grandes planos para ele» (O Rapaz do Pijama às Riscas, John Boyne. Tradução de Cecília Faria e Olívia Santos e coordenação e revisão da tradução de Ana Maria Chaves. Alfragide: Edições Asa II, 7.ª ed., 2010, p. 13).
      Acho que quem escreve assim (e são muitos) sabe que no grau normal o adjectivo é uma palavra composta por justaposição, que leva hífen. Muito bem. Mas também julga, e são tradutores e revisores, que no grau superlativo absoluto analítico deixa de ser justaposta para passar a ser uma locução. Três palavrinhas: estão muito enganados. Se é justaposta no grau normal, justaposta será em todos os graus. O que diriam, penso agora, de «bem-educadíssimo»?

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Graus dos adjectivos

«Como que de»!?


      «Por enquanto, porém, a distinção entre o portátil e o caseiro, por muito irracional que seja, há-de prevalecer. A fronteira absurda entre ambos já foi desmascarada desde que fizemos o primeiro telefonema em casa, de um telemóvel, por ser mais barato e tão bom como que de um “fixo”» («É hoje!», Miguel Esteves Cardoso, Público, 27.1.2010, p. 31).
      No grau comparativo de igualdade, a construção é tão + adjectivo + como (ou quanto); logo, aquele que está ali a mais. Apenas para a construção dos graus comparativos de superioridade e de inferioridade é necessário o pronome relativo: mais + adjectivo + que, do que/menos + adjectivo + que, do que. É assim ou não é, Miguel?

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