Eurojust: género

Eurojust e IKEA

      É maioritária, e não somente na comunicação social, a atribuição do género masculino ao acrónimo Eurojust. No sítio desta instituição, designa-se a si mesma «a Eurojust», decerto por ter em conta o género do hiperónimo (Unidade Europeia de Cooperação Judiciária). Contudo, nem no âmbito das instituições da União Europeia a questão é consensual. Num texto da Comissão Europeia (aqui), Eurojust aparece treze vezes com o género masculino. Já vimos a mesma hesitação a propósito do nome IKEA.
[Texto 180]

«Grama»

Regresso ao básico

      «O Hadrocodium wui, que foi um dos primeiros mamíferos a andar pelo planeta, há 190 milhões de anos, pesava apenas duas gramas e tinha um crânio que media 15 milímetros» («Olfacto alargou o cérebro dos mamíferos», Filomena Naves, Diário de Notícias, 20.05.2011, p. 30).
      Na oralidade, já uma vez o escrevi, é relativamente comum este erro; na escrita, e sobretudo na escrita jornalística é raro — e imperdoável. É bom tratar destes casos menores de vez em quando, não se vá pensar que desapareceram dos nossos jornais e da comunicação do dia-a-dia.
[Texto 85]

 


 

Género de «tesão» II

Rijezas gramaticais     


      Na sua crónica de hoje, Miguel Esteves Cardoso também fala da campanha da Junta da Extremadura, e remata assim o seu texto: «A puberdade leva à loucura hormonal e, mesmo que não ensinasse nada de novo aos loucos e às loucas adolescentes, pelo menos o carácter oficial da campanha contribuirá para remover qualquer culpabilidade — e mesmo um pouco daquela constante tesão» («Mãos à obra», Público, 17.11.2009, p. 40). Pode dar jeito imaginar que o vocábulo «tesão» é do género feminino — mas não é. Vimo-lo aqui.


[Post 2813]

Género de «tesão»


Palavras erectas


      Esta noite sonhei com Veronica Lake. Como este não é, contudo, um blogue confessional, género de que nem sou leitor, quanto mais fazedor, não vou avançar nem mais um milímetro na narração onírica. Em vez disso, vou centrar-me noutra questão. Mas também mete, animem-se!, sexo — o sexo das palavras, o género. Não há praticamente semana em que não leia a palavra «ênfase» usada como se fosse do género masculino. Para aquelas criaturas permissivas que falam da legitimidade trazida pelo uso, breve ou longo, localizado ou estendido, a palavra já há-de ser de ambos os géneros, aposto. Não para mim. Nos últimos tempos, outra palavra me tem aparecido travestida: «tesão». Com vossa licença. É comprovadamente de um só género, e não é o feminino, mas sim masculino. É, com a palavra «tensão», divergente do latim tensiōne. Duplamente divergente: na acepção e no género. O tesão, pois.

Género de sentinela


Alerta!

      Desta vez não se trata das legendas de qualquer filme, matéria inesgotável, mas tão-somente do título. Não tinha, quem o traduziu, pensar-se-ia, muito por onde errar. E, no entanto, errou. O vocábulo «sentinela» não é um nome comum de dois, como, por exemplo, artista (o artista/a artista; o jornalista/a jornalista; o jurista/a jurista; o turista/a turista…), mas sim sobrecomum, como a criança, o cônjuge, o indivíduo, a testemunha, etc. Logo, correctamente seria «A Sentinela», pois é do género feminino. Se, por algum preconceito inominável, o responsável pela tradução queria um sinónimo do género masculino, tinha esculca. É um erro muito comum, em especial nas traduções.
 

Género de «matiz»

Furta-cores

      «Estão ali pessoas de todas as matizes», afirmou com convicção, referindo-se à Festa do Pontal, o poeta-político Mendes Bota, em declarações ao Jornal 2, no sábado. Ignoro se cromaticamente havia ali verdade, mas gramaticalmente está errado: o substantivo «matiz» é do género masculino. Mesmo em espanhol. Curiosamente, nas traduções ocorre frequentemente este erro.

Arquivo do blogue