Talvez não
Deve estar um santo para cair do altar, como diria a minha avó materna. A abertura do Ciberdúvidas de
hoje, dedicada aos estrangeirismos já adaptados morfológica e foneticamente ao português, refere o vocábulo «grafitar», que analisei
aqui, e remete para o
Assim Mesmo.
Nesta abertura também abordam, e isto é que me interessa, o «linguajar dos surfistas»: «Com direito ou sem ele, os estrangeirismos marcam presença assídua no linguajar dos surfistas, tanto assim que são os estrangeirismos o principal traço desse tecnolecto.» Na obra
O Essencial sobre Linguística (Lisboa: Editorial Caminho, 2006), Maria Helena Mira Mateus e Alina Villalva escrevem: «
Sociolecto fica fora desta hierarquia de conceitos, embora se possa definir como um conjunto de idiolectos que corresponde a um recorte social da língua (pode falar-se no sociolecto dos adolescentes, dos surfistas ou dos economistas)» (p. 21). As autoras afirmam que o termo «sociolecto» tende a ser substituído por «dialecto», e exemplificam com o
economês e o
futebolês. Ultimamente temos ouvido falar muito do eduquês. Anteontem, li no
Jornal de Negócios: «O Tratado de Lisboa é mais uma tentativa para “aproximar a Europa dos cidadãos”, expressão que soa já a “eurocratês”, um neologismo para linguagem de burocrata europeu» («A Europa (ainda não é) porreira», Helena Garrido,
Jornal de Negócios, 2.12.2009). Os especialistas identificam outros
–lectos, como
cronolecto, idiolecto, etc.
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