O mãos-largas
«Vêm aí dias sovinas. Os manilargas de outrora, dos grandes projectos e das obras do regime, vão ser substituídos (às vezes sem ser preciso mudar de pessoal) por forretas públicos, que cortam e contam todos os cêntimos que se atrevam a ser avulsos» («O futuro forreta», Miguel Esteves Cardoso, Público, 9.04.2011, p. 35)
Miguel Esteves Cardoso também poderia ter escrito large-handed ou openhanded — mas preferiu o termo espanhol. Manilargo(a) é espanhol e significa o que tem mãos compridas. Em sentido figurado, é liberal, generoso. Também em sentido figurado, mas não registado no DRAE, é o ladrãozeco (ladronzuelo), que não o ladravaz. (E lembram-se de Artaxerxes Longímano?) Quando li a crónica, julguei recordar que José Pedro Machado registara a palavra, mas não. Regista, isso sim, manilongo, e a Real Academia Española devia copiar o verbete: «Manilongo, adj. e s. Que ou o que tem mãos longas.║Fig. Influente, poderoso.║Larápio.» Não me surpreendia que tivesse sido usado por algum autor português (e agora por dois), mas manifestamente não precisamos do vocábulo. Temos um só nosso.
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(A propósito de coisas nossas: já está na barra do lado direito a hiperligação para a Sintaxe Histórica Portuguesa, de Epifânio Augusto da Silva Dias, um dos heróis de Montexto. Descarreguem e leiam-na.)