Léxico: «mockumentary»

Amálgamas e confusões


      «É claro que, no final, subsiste a dúvida se será um documentário ou um ‘mockumentary’ (documentário fictício)» («Phoenix reinventado», P. P., Correio da Manhã, 7.09.2010, p. 41).
      Recentemente, no Jornal de Notícias, podia ler-se isto sobre o mesmo termo: «O termo junta “mock”, que significa burlesco, e a abordagem do documentário, com o objectivo de reforçar a espontaneidade da narrativa, veracidade ou realismo da história» («A moda dos “mockumentary”», Dina Margato, Jornal de Notícias, 23.08.2010). Essa é uma das acepções, mas nesta amálgama mock transmite a ideia de imitação, falsificação. E por isso já o vi traduzido para «falsumentário».

[Post 3855]

Sobre «setor»

Não aceite pela norma?


      Uma leitora, A. M. T., pergunta-me se eu admitiria, sendo professor de Português, que os alunos escrevessem setor e setora (ou stora) nos testes. Bem, parece-me que nem eu nem ninguém o poderia impedir, ou não? A pergunta havia de ser outra, e é a esta que eu vou responder. Não penalizaria um aluno que escreve esses vocábulos, amálgamas (senhora+doutora) que talvez já devessem ter tido acolhimento nos dicionários.
      Quase a propósito: no Record, a secção de revisão tem a instrução de grafar a palavra «sector» assim mesmo, com c. Agora mesmo a propósito: há uns meses, um leitor perguntou-me porque se diz «c curvo», quando não há nenhum «c recto». E acrescentou: «LOL». Acho, e foi o que respondi, que a origem está num equívoco relacionado com a soletração. Imaginem que estou ao telefone e quero soletrar ao meu interlocutor a palavra «sector». Digo: «“Sector”. S de “sapato”, e de “estrela”, c de “curvo”, t de “tudo”, o de “ordem” e r de “rato”.»

[Post 3338]

Actualização em 18.4.2010

      Por vezes, a grafia é outra, com acento circunflexo: «Ora vamos ao volante feitos uns senhores, ora ficamos de orelha murcha com ar de santinhos como quando, na escola, éramos apanhados: “Eeuuu, stôra? Juro que...”» («Teoria do Calimero português», Rui Zink, Metro, 12.4.2010, p. 9).

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