Adjectivos truncados

Trunca


      «Em contrapartida, a aliança britânica-francesa-norueguesa-polaca conseguiu a 28 de Maio, no norte [sic], reconquistar Narvik» (A Segunda Guerra Mundial, Gerhard Schreiber. Tradução de Luís Covas e revisão de Eda Lyra e Texto Editores. Alfragide: Texto Editores, 2010, p. 37).
      Não é questão nova aqui. Eu truncaria os três primeiros adjectivos e escreveria: anglo-franco-noruego-polaca.

[Post 3736]

Dano-islandês

Eis um exemplo


      «Fosse o que fosse, seria visível para ela em virtude de ser uma loura dano-islandesa descendente de uma longa linhagem de islandeses e dinamarqueses louros, criada num meio escandinavo em casa, na escola, na igreja, toda a sua vida na companhia apenas de...» (A Mancha Humana, Philip Roth. Tradução de Fernanda Pinto Rodrigues e revisão de Fernanda Abreu. Lisboa: Publicações Dom Quixote, 2004, p. 128).
      Já aqui tínhamos visto um leitor a perguntar qual se devia escrever dano-chinesa ou dinamarco-chinesa.

[Post 3528]

Dano-chinês ou dinamarco-chinês?

Estranhezas


      Escreve-me um leitor: «A minha dúvida de hoje é: como devo designar uma aliança entre a Dinamarca e a China? Dano-chinesa ou dinamarco-chinesa?»
      Ambas estão correctas. Contudo, para evitar a estranheza por parte do leitor, eu sugeria que não se usasse, embora correcta e registada em alguns dicionários, a forma truncada do adjectivo «dinamarquês». Logo, dinamarco-chinesa. E melhor ainda, tanto mais que a precedência verbal não indicia, não sugere nem cria precedência no mundo dos factos, o que no caso nem se aplica, pois trata-se de uma aliança, e também por ser mais eufónico, sino-dinamarquês. Tudo menos, como já vi, duas formas truncadas.

[Post 3421]

Adjectivos truncados

Duplas nacionalidades


      Uma consulente do Ciberdúvidas, Ana Oliveira, perguntou: «Gostaria de saber qual a forma correcta de referir duplas nacionalidades em português. Atendendo a casos como luso-brasileiro, franco-canadiano, ítalo-americano, afro-americano, parece-me existir um padrão, mas será sempre essa a regra?» A consultora Edite Prada respondeu: «Sim, a regra é sempre recorrer à forma truncada, ou seja, obtida retirando a parte final do adjectivo que se pretender colocar em primeiro lugar. No caso de haver dúvidas quanto à forma que a palavra assume, existe nos dicionários mais recentes, como entrada, a grande maioria desses elementos.»
      Está mal explicado, para não dizer errado. Desde quando é que a forma truncada se obtém «retirando a parte final do adjectivo que se pretender colocar em primeiro lugar»? São formas adjectivas mais curtas, truncadas, ou seja, incompletas. E são formas fixas, eruditas, não se obtêm desta ou daquela maneira.

[Post 3032]

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