Abreviaturas

Onde fica o ponto


      «Não é um rapaz do meu tempo mas é do meu tempo de rapaz: Emilio Salgari, o pai de Sandokan. Neste 2011 vai voltar a falar-se de Salgari, a sua morte faz cem anos. Eu li-o nas velhas edições da João Romano Torres & Cª., as capas desenhadas com o pirata malaio» («Os riscos de ler Sandokan», Ferreira Fernandes, Diário de Notícias, 4.01.2011, p. 60).
      Pode não ser o caso, mas muitos falantes não sabem que, nas abreviaturas, o ponto de abreviação fica antes da letra (ou letras) superescrita: Ant.º, art.º, at.º, C.ª, n.º, sr.ª, Rev.º, etc. Nem é raro ver obras revistas em que este aspecto foi completamente descurado.

[Post 4271]

Como se escreve nos jornais

Mais valia estarem quietos


      No jornal impresso, era assim que se podia ler: «Duas crianças de 13 anos foram interceptadas, pelo Destacamento de Trânsito da GNR de Leiria, a circularem de bicicleta na autoestrada do Norte (A1), próximo da área de serviço de Leiria» («Duas crianças fogem de bicicleta e entram na autoestrada», João Pedro Campos, Jornal de Notícias, 23.11.2010, p. 22). Já aqui tinha falado nesta questão. No jornal em linha, nenhuma correcção até esta hora. Por outro lado, no dia 13 do corrente, no jornal impresso lia-se isto: «Exmo. Snr. Pai Natal» (Paulo Baldaia, Jornal de Notícias, 13.11.2010, p. 23). Na edição em linha, alteraram e ficou assim: «Exmo. Sr. Pai Natal». Com tanta ignorância nos jornais, que podemos esperar?

[Post 4114]

Abreviatura de «superintendente»

Tem lá em casa


      Uma bancária brasileira, Luciane Bassoli de Assunção, queria saber qual a abreviatura de «superintendente». E, como estava em maré de pedir, ainda acrescentou: «Vocês têm um dicionário geral de abreviaturas para me enviar?» Ora, no Brasil há muito melhores dicionários de abreviaturas do que em Portugal, que eu já aqui divulguei. O especialista em abreviaturas do Ciberdúvidas, D´Silvas Filho, não conhecia, mas recomendou: «Sugiro Superint. para superintendente; sempre se evitam algumas letras. Para colectânea de abreviaturas, recomendamos o Anexo muito completo do VOLP da sua Academia, com o título “Reduções mais correntes”.»
      No Dicionário de Abreviaturas publicado pela Prefeitura da cidade de São Paulo, que se pode descarregar aqui, indica-se Suprint, sem ponto de abreviação. Sugiro, corrigindo esta forma, Suprint., com ponto. (Aqui encontra uma lista de abreviaturas para a língua espanhola.)

[Post 3379]

Abreviaturas e plurais


Nunca visto

      De vez em quando, leio o semanário Jornal do Fundão. Quanto à correcção com que a língua é usada, é tão bom ou tão mau como outros — com a diferença de que tem revisor. Entre muitos, muitos erros, a minha atenção foi atraída para o que a imagem ilustra: a abreviatura da palavra «telefones» e o plural da palavra «fax». Valha-me Deus, caro Jerónimo Rondão Clemente, senhor revisor, então acha mesmo que a abreviatura de «telefones» é *telf.’s e o plural de «fax» é fax’s? E onde é que aprendeu isso?


[Post 2834]

Abreviatura «cas.»

Não vemos o mesmo

      «Ana Manta Botelho, 30 anos, nunca foi de se imaginar a percorrer um altar, envolta em tules e sedas brancas, ou sequer de se pôr a pensar nas implicações de ver as iniciais “cas” estampadas no seu Bilhete de Identidade» («Casamos cada vez menos e só depois de testar a relação», Natália Faria, Público, 11.11.2009, p. 10). Ora, também sou casado, e no meu BI não vejo as «iniciais “cas”», mas sim a abreviatura cas., de «casado». Uma pequena imprecisão terminológica.

[Post 2799]

A evolução das abreviaturas


Evolução


      Cara Luísa Pinto: pode, de facto, abreviar a palavra «senhor» em snr. (há dicionários, como o Grande Dicionário da Língua Portuguesa, coordenado por José Pedro Machado, que ainda a registam), mas não é esta actualmente a forma usual, como sabe. Sim, até certa altura talvez fosse a única a ser usada. No boletim de alojamento de estrangeiro reproduzido acima (publicado na edição de Novembro/Dezembro da Agenda Cultural de Cascais), é essa abreviatura que lemos.

Actualização em 10.06.2009


      Decerto para ajudar a recriar a época em que se passa um conto, «Walkyrie, ¼ club 30 m/m», de Vasco Graça Moura, durante a Segunda Guerra Mundial, o autor usa esta abreviatura: «E ela teve a certeza do seu estado quinze dias mais tarde, exactamente na altura em que o patrão estava prestes a receber a visita do snr. Graf, importador de Hamburgo, que tinha grandes negócios de abastecimento da Wehrmacht com as conservas de peixe portuguesas» (Morte no Retrovisor, Vasco Graça Moura. Revisão de Manuela Ramos. Lisboa: Círculo de Leitores, 2009, p. 246). «E não perdoo ao enfático snr. Ramalho Ortigão que dele o tenha dissuadido, em nome de uma ética farfalhuda e dos bons costumes que o autor de As Farpas não desistia de proclamar» (ibidem, p. 226).

Abreviatura: Dr.

Dr. Quem

      É infelizmente muito comum — o que o não torna menos grave — escrever com minúscula inicial a abreviatura de «doutor», como se pode ver nesta frase, que serve de exemplo, de Mário Bettencourt Resendes: «O dr. Jardim tem o particular talento de ostentar, por norma, uma ausência gritante de senso comum» («As armas e os barões de Alberto João», Diário de Notícias, 18.05.2006, p. 11). Nos substantivos, adjectivos e locuções pronominais, escritos por extenso ou abreviadamente, que constituem formas corteses de tratamento deverá usar-se a maiúscula inicial, como preceitua, e bem, a Nova Terminologia Linguística, quando antepostos a nomes de pessoas. Logo, Dr. Jardim, Mons. Johann Geisler, Fr. Georg Angst, etc.

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