Léxico: «bobage»

Nem com tira-nódoas


      «E todo o mundo ria a sua pândega, a fazer arraial com grossas bobages cruas de taberna e de oficina» (A Ruiva, Fialho de Almeida. Porto: Ernesto Chardron, 1881, pp. 27-28). 
      Entretanto, a forma histórica do vocábulo, esta mesma, bobage, que subsistiu até ao fim do século XIX, desapareceu dos dicionários — mas não a conseguem limpar das obras literárias nem da língua informal, no Brasil.

[Texto 23 398]

Léxico: «régua de degustação»

Entretanto, no Brasil


      «Serão dez taps dedicadas às sidras, mais umas 20 opções engarrafadas. O bar [Empório Alto dos Pinheiros] também vai oferecer réguas de degustação, com pequenas doses de diferentes versões —o que ajuda aos que querem aproveitar a diversidade» («Precisamos falar sobre sidras brasileiras», Sandro Macedo, Folha de S. Paulo, 31.07.2026, p. C15).
      Não temos a designação régua de degustação Brasil conjunto de pequenas doses de diferentes bebidas, especialmente cervejas, sidras ou destilados, servido para que sejam provadas e comparadas; por vezes, o suporte comprido em que os respectivos copos são dispostos.

[Texto 23 397]

Definição: «eclipse solar», de novo

Não subornei ninguém


      «O astrónomo e divulgador de ciência Máximo Ferreira destaca ao PÚBLICO que “o eclipse do Sol é um fenómeno que só pode acontecer em ocasião de lua nova, quando a Lua se coloca entre a Terra e o Sol”. Mas se há lua nova todos os meses, porque é que só há eclipses aproximadamente de seis em seis meses? “Isso acontece porque a Lua anda à volta da Terra, mas não anda no mesmo plano”» («O Sol vai esconder-se por trás da Lua, transformando o dia em noite», Filipa Almeida Mendes, Público, 1.08.2026, p. 40). 
      Compreendo que macule a estética da entrada, o paralelismo com «eclipse da Lua», Porto Editora, mas paciência. (Também em certo condomínio a desmiolada da administradora exaltava a «estética das contas», dos quadros apresentados, mas infelizmente as contas estavam todas erradas.)

[Texto 23 396]

Definição: «enclave» Léxico: «semienclave»

Mais rigorosamente


      «Cerca de 73.500 migrantes já saíram de Ceuta para Marrocos. Fontes policiais disseram que este número de saídas poderá incluir pessoas que entraram na avalanche que se precipitou sobre a fronteira com Marrocos do enclave espanhol no norte de África, entre quinta e sexta-feira, e outras que já estavam desde dias anteriores em Ceuta, uma cidade onde vivem pouco mais de 83 mil pessoas» («Número de vítimas mortais em Ceuta sobe para 72», Rádio Renascença, 2.08.2026, 10h10). 
      A ser alguma coisa, seria «exclave espanhol no Norte de África». Mas não: se tem uma frente aberta para o mar, será (adoptando aqui o ponto de vista do Estado em que se situa) um ➠ semienclave GEOGRAFIA POLÍTICA território que, embora quase inteiramente rodeado por território alheio, possui uma frente marítima, não constituindo, por isso, um enclave propriamente dito. 
      Donde decorre, pois bem, que a definição de «enclave» nos nossos dicionários também não está correcta. Optando (como faz a Porto Editora) por duas acepções, será mais assim ➠ enclave 1. GEOGRAFIA POLÍTICA território pertencente a um Estado ou a uma divisão político-administrativa que se encontra inteiramente rodeado por território alheio; 2. Estado soberano cujo território se encontra inteiramente rodeado pelo território de outro Estado. 
      Mas não tem necessariamente de se dividir por duas acepções, porque isto é rigorosamente equivalente  enclave GEOGRAFIA POLÍTICA território que, constituindo a totalidade de um Estado soberano ou pertencendo a outro Estado ou divisão político-administrativa, se encontra inteiramente rodeado por território alheio, sem abertura para o mar.

[Texto 23 395]

Léxico: «superdotação»

Primeira regra: indagar da família


      «Pais e especialistas consideram um avanço a aprovação da lei que criou uma política nacional para alunos com superdotação ou altas habilidades, mas apontam para uma série de lacunas no texto e temem que as novas regras não saiam do papel» («Pais veem avanço, mas temem que lei para superdotados fique só no papel», Laura Mattos, Folha de S. Paulo, 1.08.2026, p. A35). 
      Quem é que dicionariza «superdotado», o identifica como termo corrente no Brasil, mas se esquece de acolher «superdotação»? 

[Texto 23 394]

Léxico: «acontecedeiro»

Ainda teremos de emigrar


      «Isto é cousa natural/ e muito acontecedeira;/ se nunca fora outra tal,/ disséramos que era mal/ por serdes vós a primeira.» Rubena, filha de um clérigo, engravidara de um cónego e procurava esconder a gravidez. A fala ocorre quando já está com as dores do parto. Aparece na Comédia de Rubena, de Gil Vicente, representada provavelmente em 1521, perante o futuro D. João III e é citada, por exemplo, por Camilo na Maria Moisés. Encontrá-la apenas em dicionários brasileiros é que me deixa apopléctico. Assim, proponho ➠ acontecedeiro adjectivo arcaico que acontece facilmente ou com frequência; comum, frequente.

[Texto 23 393]

Definição: «condomínio»

Nunca pessoal


      «L’Antarctique étant un condominium, c’est-à-dire un territoire sur lequel plusieurs puissances conviennent de partager une souveraineté, aucune institution n’est habilitée à adopter un drapeau officiel. On utilisa parfois pour le représenter un drapeau blanc et d’autres propositions émergèrent mais le plus souvent, c’est l’emblème du Traité sur l’Antarctique de 1959, un drapeau bien officiel adopté depuis septembre 2002, qui est utilisé, figurant une carte du continent en blanc sur fond bleu marine ainsi que les méridiens convergeant au pôle Sud» («Antarctique», Libération, 30.07.2026, p. VIII).
      Não escolheram muito bem o exemplo, já que a Antárctida é descrita por alguns autores como um condomínio de facto, por causa da administração internacional concertada, mas não constitui propriamente um condomínio em que diversos Estados partilhem a soberania. Serve, porém, como mero pretexto para dizer que a definição de «condomínio», nesta acepção, no Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora padece de vários males, e o primeiro é afirmar que pode ser exercido por uma pessoa ou nação. Não pode. Por uma pessoa não pode ser, e só pode sê-lo por um Estado, não uma nação. 
      Assim, proponho ➠ condomínio DIREITO INTERNACIONAL exercício conjunto da soberania por dois ou mais Estados sobre o mesmo território; território submetido a esse regime.

[Texto 23 392]

Léxico: «porreirismo»

Marca nacional


      «De acordo com a narrativa apresentada por Luís Neves, o então director financeiro da PJ estava a fiscalizar uma obra executada pelo empreiteiro de Barcelos que depois fez as obras na casa de Luís Neves, e recebeu um telefonema da Armada a dizer que o atrelado tinha de sair das instalações militares onde estava. Então, surgiu um milagre, que só pode ser explicado pelo porreirismo, pelo desenrascanço e pelo chico-espertismo portugueses: o empresário ofereceu-se para guardar o atrelado e os bidões na sua empresa pro bono, sem custos para o Estado» («A insensibilidade e a ingenuidade políticas de Luís Neves», São José Almeida, Público, 1.08.2026, p. 15).

[Texto 23 391]

Definição: «romanesco»

Variedade diatópica


      «Direte: ma se Benito Mussolini odiava il romanesco! Vero. Non solo il romanesco: tutti i dialetti» («La resistenza dei dialetti. A scuola», Gian Antonio Stella, Corriere della Sera, 1.08.2026, p. 40). 
      A Porto Editora define-o como «dialecto social do povo de Roma», ou seja, o social dialect de alguma linguística de tradição anglo-saxónica, mas nós sempre dissemos sociolecto. Não é um sociolecto: o seu critério identificador é territorial, Roma, portanto é uma variedade diatópica, não diastrática. Tanto assim é que o Houaiss até o identifica, talvez também com exagero, com o Trastevere. Hoje em dia, o romanesco e os seus traços atravessam diferentes grupos sociais, formando um contínuo com o italiano regional de Roma. 
      Tudo visto, proponho ➠ romanesco LINGUÍSTICA dialecto de Roma que, por influência do toscano, se tornou muito próximo do italiano comum. 
      A etimologia que vemos no dicionário da Porto Editora também é enganadora, porque dá a entender que o termo se formou na nossa língua. É antes do italiano romanesco, «idem», derivado de romano, «romano», + -esco.

[Texto 23 390]

Definição e etimologia: «oratória | oratório»

Convém é não misturar as duas


      «O meu principal tema de estudo é a história da música na corte portuguesa do século XVIII, com um enfoque específico nos géneros musicais sacros e dramáticos, como as oratórias. Estas obras eram apresentadas na corte, compostas por compositores da corte portuguesa e de outras partes da Europa, e tinham como objetivo entreter, mas também, de certa forma, edificar, contando histórias religiosas e refletindo a atmosfera religiosa da corte [afirma, em entrevista, Danielle M. Kuntz]» («“D. Maria l promoveu música onde se destacavam governantes femininas como Ester ou outras mulheres da Bíblia”», Leonídio Paulo Ferreira, Diário de Notícias, 3.08.2026, p. 24). 
      Que a Porto Editora define assim: «LITERATURA, MÚSICA peça dramática, poema ou larga composição vocal e instrumental com coros e solistas, de assunto religioso, bíblico ou hagiográfico». Muito melhor está no Houaiss, mas que também não é exemplar. Uma solução deste, porém, devia logo à partida ser seguida pela Porto Editora: em «oratória» remeter simplesmente para «oratório». Neste verbete, uma das acepções diria mais ou menos isto ➠ oratório MÚSICA composição vocal e instrumental extensa, geralmente para solistas, coro e orquestra, que combina elementos dramáticos, narrativos e contemplativos, se baseia tradicionalmente num texto de assunto religioso e é, em regra, executada sem representação cénica; oratória. 
      Quanto à etimologia, deve ter-se em conta que «oratória» e «oratório» têm origens imediatas distintas nas acepções fundamentais. A primeira alteração é eliminar definitivamente o falso «idem» da Porto Editora e explicar a evolução sem atribuir ao latim um género musical que só surgiu muitos séculos depois. Ficaria assim ➠ do latim oratorĭa- [ars], «arte oratória»; na acepção musical, ver oratório
      Em «oratório», a etimologia é ➠ do latim oratorĭu-, «lugar destinado à oração»; na acepção musical, do italiano oratorio, designação proveniente dos exercícios musicais e devocionais realizados nos oratórios romanos a partir do século XVI.

[Texto 23 389]

Léxico: «cinta-liga»

Em que se fala de Betty Boop


      «Em dois anos, a jovem branca de olhos grandes ficou completamente humana. Enfiada num vestido preto, com cinta-liga e cabelo curto, era uma flapper, como chamavam a mulher sexualmente livre, que sabia se divertir: beber, fumar, dirigir carros, o que fosse. Com o furacão [do Código] Hays, Boop foi ficando mais recatada, perdendo o emprego de pin-up —e a graça» («Betty Boop e Cab Calloway inspiraram coquetel», Daniel de Mesquita Benevides, Folha de S. Paulo, 31.07.2026, p. C13). 
      Tem razão o jornalista: flapper era então o nome dado à jovem mulher que, pela indumentária e pelo comportamento ousado e independente, desafiava as convenções sociais da época. O Dicionário de Inglês-Português da Porto Editora, contudo, apresenta esta 7.ª acepção de flapper: «coloquial (anos 20) rapariga nova, rapariga adolescente, garota». A definição mistura dois sentidos historicamente distintos: o mais antigo e geral, de «rapariga adolescente», e o que a palavra adquiriu nos anos 20, como designação de um tipo social feminino caracterizado pela ruptura com as convenções. A Porto Editora pode acolher ambos — ou apenas o segundo, de longe o mais conhecido —, mas deve distingui-los e defini-los correctamente. O do artigo é este flapper HISTÓRIA jovem mulher da década de 1920 que, pela indumentária e pelo comportamento independente e ousado, desafiava as convenções sociais da época. 
      Mas voltemos, antes que se nos varra da memória, a ➠ cinta-liga Brasil VESTUÁRIO peça de roupa interior, constituída por uma faixa que se ajusta à cintura ou às ancas e da qual pendem tiras elásticas, geralmente reguláveis e terminadas em presilhas, destinadas a sustentar meias até à coxa; cinto de ligas.

[Texto 23 388]

Definição: «pasteurização»

Não tão simples


      «Secondo la normativa vigente (Reg. CE 853/2004), per “latte crudo” si intende un latte che non è stato riscaldato a più di 40 °C. E noto, tuttavia, che per inattivare i microrganismi patogeni vegetativi devono essere raggiunte temperature ben superiori, come quelle di pastorizzazione: 72 °C per 15 secondi oppure 63 °C per 30 minuti oppure una combinazione con effetto equivalente» («Che cos’è il latte crudo?», Valentina Santarpi, Corriere della Sera, 3.08.2026, p. 22). 
      Ora aí está: ou uma combinação de efeito equivalente. É o que falta na definição de «pasteurização» do Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora: «processo de conservação dos alimentos em que estes são aquecidos a uma temperatura não superior a 100 °C e arrefecidos depois rapidamente, de forma a eliminar os germes patogénicos». Se alguém aquecesse um alimento a 99 °C durante um segundo, pela definição da Porto Editora isso continuaria, absurdamente, a caber no conceito de pasteurização. Na realidade, o critério dos 100 °C é inadequado como elemento definidor; «eliminar os germes patogénicos» é excessivamente absoluto; e falta o carácter tecnológico do processo. 
      Assim, proponho ➠ pasteurização processo de conservação de alimentos que consiste em submetê-los a um tratamento térmico controlado, normalmente inferior a 100 °C e definido por uma combinação específica de temperatura e tempo, seguido de arrefecimento rápido, a fim de destruir ou reduzir a níveis seguros os microrganismos patogénicos e retardar a deterioração do produto.

[Texto 23 387]

Léxico: «cacifro»

Mais uma resgatada do olvido


      «— Não vamos tão longe, sr. Maurício — emendou o minorista — O que se diz é que ele passava o Tâmega nas poldras, com a cana de pesca e o cacifro; depois, metia­-se na Ínsua, e a Josefa ia lá ter» (Maria Moisés, Camilo Castelo Branco. Lisboa: INCM, 2020, p. 21). 
      De «cacifro», a Porto Editora remete para «cacifo», e aqui só uma acepção atinente, não à pesca, mas à caça: «cesto de vime onde os caçadores levam o furão». Na obra de Camilo, contudo, é um aparelho de pesca, que encontramos também noutros autores do século XX. Vai sendo trabalho de pura arqueologia. Assim, proponho ➠ cacifro PESCA cesto de verga, geralmente de forma circular e levado a tiracolo, em que o pescador guarda o peixe capturado, podendo mantê-lo dentro de água para conservar as capturas vivas ou frescas.

[Texto 23 386]

Definição: «orgasmo»

Resposta neurofisiológica


      Na passada sexta-feira, foi Dia Mundial do Orgasmo. Podia ter sido também dia para melhorar a definição de «orgasmo», mas estamos sempre a tempo, até porque as definições que por aí vejo me deixam, não sei, desentusiasmado, desentesado, desiludido... Assim, consultados Masters e Johnson e o que a literatura médica actual diz, proponho ➠ orgasmo FISIOLOGIA resposta neurofisiológica correspondente à fase culminante da excitação sexual, caracterizada por intensa sensação de prazer e, geralmente, por contracções musculares involuntárias dos órgãos genitais e da região pélvica. 
     Quanto à etimologia, pode dizer-se muito mais, assim ➠ do grego orgasmós, «excitação; impulso; efervescência», derivado de orgáō, «inchar; estar excitado; arder de desejo», pelo francês orgasme, «orgasmo».

[Texto 23 385]

⋅ ── ✩ ── ⋅ 


P. S.: Não deixaria de dicionarizar este, tão encontradiço, orgasmo intelectual figurado sensação intensa de prazer, deleite ou êxtase, especialmente provocada por uma experiência estética ou intelectual.


Etimologia: «convescote»

Não caiu do céu


      «Bem me lembro, estão aqui anotadas no caderno vermelho: as palavras “alpendre” e “vitrola”, citadas entre as cinquenta de que nos fomos perdendo, reunidas num estudo do Observatório da Língua Portuguesa. Eu tinha ficado preso a uma outra, a palavra “convescote”, criada pelo latinista carioca António de Castro Lopes de quem acabo de encontrar, em Braga, um admirador e estudioso entusiasta, o actor e dramaturgo Manoel Candeias, doutorado em artes de cena pela universidade de Campinas» («A vitrola no alpendre», Fernando Alves, TSF,  24.06.2026, 8h53). 
      Não se dizer isto, que é absolutamente certo, está documentado, nos dicionários é que me deixa perplexo.

[Texto 23 384]

Léxico: «engasgalhado»

Outra desaparecida dos dicionários


      «— Aqui o tens tal qual o topei engasgalhado num amieiro, berço e tudo. Olha que desgraça, ó Isabel!» (Maria Moisés, Camilo Castelo Branco. Lisboa: INCM, 2020, p. 44).

[Texto 23 383]

Léxico: «não pôr mais na carta»

Até na Alemanha sabem


      «— Não ponhas mais na carta. Tosquei tudo! Que bailões! E a Ruiva também era...» (A Ruiva, Fialho de Almeida. Porto: Ernesto Chardron, 1881, p. 14). 
      Já aparece em muito poucos dicionários, isto quando se trata de uma expressão frequente na literatura do século XIX e até do século XX. Encontro-a, por exemplo, no Die falschen Freunde: Portugiesisch-Deutsch, Deutsch-Portugiesisch, em que é traduzida por «du brauchst nicht deutlicher zu werden», isto é, «não precisas de ser mais explícito». 

[Texto 23 382]

A propósito de «Celtic»

Sabido, mas esquecido


      No sentido de «celta» ou «céltico», a pronúncia actualmente corrente é /ˈkeltɪk/. A pronúncia /ˈseltɪk/, historicamente anterior em inglês e hoje pouco usada nestas acepções, conserva-se sobretudo em nomes próprios, como Celtic Football Club. A pronúncia com /k/, difundida a partir do século XVIII e consolidada no século XIX por historiadores e linguistas, foi resultado da aproximação às formas antigas (grego Keltoí e latim Celtae), em que a consoante inicial se pronunciava /k/. isto mesmo, ou abreviado, se devia dizer no verbete Celtic do Dicionário de Inglês-Português da Porto Editora. A apresentação actual, ao enumerar /ˈkeltɪk/ e /ˈseltɪk/ sem nenhuma indicação de uso, leva a supor que ambas são hoje igualmente correntes nas acepções «celta, céltico» e «ramo de línguas celta», o que não corresponde ao uso predominante. Seria conveniente manter ambas, mas distinguir a pronúncia moderna geral da variante histórica, actualmente conservada sobretudo em nomes próprios.

[Texto 23 381]

Léxico: «diamantário»

Ora, também a temos


      «Les diamantaires anversois ont offert “Freedom 250” au président américain, qui a décidé d’exempter les diamants taillés importés de Belgique de taxes. Un rabbin dénonce un “acte flagrant de corruption”. Et porte plainte contre Trump, sur fond d’enquêtes sur des pratiques de circoncision» («Donald Trump et la bague de la discorde», Valérie de Graffenried, Le Temps, 29.07.2026, p. 5). 
      Ah, mas nós também temos a palavra diamantário, sinónima de «diamantista», o que negoceia com diamantes, só falta que no-la devolvam para os dicionários.

[Texto 23 380]

Como se escreve (e pensa!) por aí

Andam aos papéis


      «O gabinete do Chega na Assembleia da República foi encontrado vandalizado ontem de manhã. A porta do gabinete, sabe o Correio da Manhã, não foi rebentada nem sequer forçada e terá sido uma empregada de limpeza a verificar o vandalismo e a alertar a GNR» («Ventura denuncia invasão ao gabinete do Chega», Miguel Bravo Morais e Diogo Carreira, Correio da Manhã, 29.07.2026, p. 6). 
      Isto é que é rigor jornalístico: vandalizado. Vi imagens na CNN Portugal, e apareciam papéis, livros, gavetas, até um exemplar do Correio da Manhã (deve ter sido este a testemunha do jornal, a fonte) que pareciam ter sido cuidadosamente postos no chão. Documentos sensíveis... Quem é que guarda documentos sensíveis numa sala que não fecha à chave?

[Texto 23 379]

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