8.5.26
Talvez eu
«“Faltam cabos de aço inox e um tubo também de inox no corrimão junto à porta principal do teatro. Esta situação, potencialmente perigosa para o público infantil, tem sido reparada pela companhia com recurso a cabos de aço normal e cerra-cabos”, alertava um dos relatórios enviados ao município» («Sete acusados em queda de atriz», Paula Gonçalves, Correio da Manhã, 7.05.2026, p. 33).
Quem diria que o dicionário da Porto Editora não acolhe «cerra-cabos»? Pois, ninguém. Aqui vai o ➜ cerra-cabos peça metálica, geralmente em forma de U com uma braçadeira apertada por porcas, usada para fixar, unir ou formar olhais em cabos de aço, comprimindo a extremidade do cabo contra si própria.
[Texto 22 944]
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P. S.: Para a legião de anglófilos que me segue: caso se encontrem em Londres e precisem de comprar um cerra-cabos, convém saber que os Ingleses lhe chamam “U-bolt cable clamp”. Talvez o encontrem na velha MacCulloch & Wallis, algures entre Lambeth e uma Londres que já quase desapareceu, entre latas de tinta enferrujadas, dobradiças vitorianas e um empregado de avental castanho que responde “right you are” sem sequer levantar os olhos. Arrogante duma figa. Ou mais literário: arrogante do caralho. Se lá estiver um empregado indiano chamado Rajiv Patel, este sim, simpático, digam-lhe que vão da minha parte: «Mr Guégués told us you were the kindest and most helpful employee in Greater London... and we believe him, because Mr Guégués almost always tells the truth.»