«Carro eléctrico»

Veremos, se cá estivermos


      Em comunicação pessoal, afirma Fernando Venâncio: «O carro eléctrico (o utilitário) vai tendo a mesma designação que o carro eléctrico (o transporte público). Quanto tempo poderemos (ou deveremos) aguentar essa sobreposição semântica?»
      O que penso, e respondi, é que o meio de propulsão não tem interferido, até hoje, na designação do veículo que continuamos a conhecer como «automóvel». Assim, posso estar enganado, mas nunca nos iremos referir ao automóvel movido a electricidade como «eléctrico», ficando assim a designação reservada para o veículo de transporte urbano de passageiros movido a electricidade, sobre carris de ferro. Afinal, ninguém diz «vou a Sintra no meu gêpêele (GPL)».
      Fernando Venâncio contrapõe: «De momento, lê-se (e, infiro, ouve-se) carro eléctrico, por extenso, para o automóvel. Já nisso há uma sobreposição.»
      Sobreposição semântica parcial será, pois o que eu ouço e leio é «eléctrico» para o transporte público. «Carro eléctrico» para designar este é de rara ocorrência na oralidade, e na escrita somente em casos mais formais, como «Museu do Carro Eléctrico».
      «A Siemens vai produzir sistemas de carregamento para veículos eléctricos a instalar nas habitações, no âmbito do programa de mobilidade eléctrica (MOBI.E) que está a ser desenvolvido pelo Governo, anunciou ontem o presidente do grupo em Portugal» («Carros eléctricos carregados em casa», Diário de Notícias, 15.05.2010, p. 47).
      O que pensam os meus leitores desta questão?

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