Plural dos apelidos

Estava quem interessa


      Bruce Chatwin convidou Howard Hodgkin e Cary Welch e as mulheres destes para um jantar em sua casa. «Uma noite, os Hodgkins e os Welches vieram jantar e lembro-me de Howard às voltas na sala e a arrastar os pés, registando tudo o que via na memória com aquele olhar fixo que agora tão bem conheço» (O Que Faço Eu Aqui?, Bruce Chatwin. Tradução de José Luís Luna e revisão de Carlos Pinheiro. Lisboa: Quetzal Editores, 2009, p. 90). Muito bem: estavam lá os Hodgkins e os Welches. E só não estavam os Chatwins, anfitriões, porque Bruce era solteiro. Felizmente, não foram convidados os tradutores e os revisores que não pluralizam os apelidos, essas melgas. Ficaram lá fora, a planar por Hyde Park Corner.

[Post 3467]
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2 comentários:

Anónimo disse...

Não percebo o problema: pluralizar sobrenomes não é uma opção? Eu pessoalmente não gosto de fazê-lo, mas respeito quem o faz. Ou terá sido porque foram pluralizados incorretamente?

Jorge Candeias disse...

Não me parece que isso seja assim tão evidente. Na língua portuguesa, muito por culpa da estrutura dos nossos apelidos, é perfeitamente aceitável não os pluralizar. Caso contrário teríamos de andar por aí a escrever verdadeiras aberrações como "os candeiases".

De resto, escrever "os Candeias" (ou os Hodgkin) pode ser visto como uma forma abreviada de referência a "os membros da família Candeias". Temos a língua cheia dessas coisas, e, a meu ver, sem erro nenhum.

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