Tradução: «solicitor-general»

Sai disparate


      «Vários senadores republicanos, que no ano passado elogiaram a escolha de Elena Kagan para solicitor-general (a advogada que litiga no Supremo Tribunal em representação do Governo), já avisaram que este é um processo distinto, uma vez que as nomeações para o Supremo são vitalícias» («Obama escolhe mais uma mulher (que nunca foi juíza) para o Supremo Tribunal dos EUA», Rita Siza, Público, 11.05.2010, p. 23).
      Rita Siza não se atreveu a traduzir solicitor-general, e fez mal. O Diário de Notícias atreveu-se, e também fez mal, pois solicitor-general não é solicitadora-geral mas procuradora-geral, embora não corresponda à nossa figura com a mesma designação, pois é um alto funcionário do Departamento de Justiça norte-americano que representa a Administração no Supremo Tribunal.

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2 comentários:

Alcides Graça disse...

Peço licença para discordar. Procurador-geral é a tradução mais frequente de "attorney general".

O problema é que a estrutura e a nomenclatura da justiça americana são muito diferentes da nossa. Attorney-general, por exemplo, corresponde a um misto dos nossos ministro da justiça e procurador-geral.

Solicitor-general, em termos formais, é na prática um adjunto do attorney-general - procurador-geral adjunto? Enfim, como não há uma norma, depois todas as traduções acabam por ser infelizes... Cumprimentos!

Helder Guégués disse...

Fez bem em discordar, caro Alcides Graça. Na realidade, os sistemas não se equivalem, e o solicitor general é mais bem caracterizado se dissermos que é um alto funcionário do Departamento de Justiça norte-americano que representa a Administração no Supremo Tribunal. Já corrigi.

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