«Maca», uma acepção

Fala ainda o marinheiro


      Quando ouvimos a palavra «maca», quase sempre nos vem à memória a imagem de uma espécie de cama, assente numa armação móvel e articulada, com ou sem rodas, para transportar doentes, feridos ou mortos. No entanto, vejam: «Na manhã seguinte toca o clarim a alvorada às 7h00. Chegou a altura de forrar as macas... para leigos no assunto, como nós, era um trabalho impossível de fazer; pendurar a maca pelas aranhas, dobrar os cobertores[,] os quais[,] juntamente com o travesseiro[,] tem o seu lugar apropriado dentro da maca. Um cabo com cerca de 3 metros (o cabo de tomadouro) tinha que dar 5 voltas à maca, esta ficava com a configuração de um chouriço gigante e depois de ferrada era pendurada na tarimba[,] que[,] por sua vez[,] era alçada na vertical. Depois de várias tentativas éramos quase mestres na arte. A Maca de Marinheiro era usada em quase todas as Marinhas do Mundo e a sua origem remonta aos tempos dos navios de vela» («A minha instrução de recruta», Ramiro Bandeira Martins, Combatente, Dezembro de 2009, pp. 49-50).
      No início, pensei — até porque a incompetente revisão (mais um curioso a fingir que é revisor) de António Costa autorizava-me tal pensamento — que o autor teria escrito ou queria escrever hamaca. A verdade, porém, é que uma das acepções, dicionarizada, de maca é cama de lona, suspensa, em que dormem os marinheiros a bordo, como se lê no Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora. E maca vem de... hamaca. E mais: nenhum dicionário, ao contrário do que eu supunha, regista hamaca.

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