Uso da maiúscula

πρoφήτης


      Um leitor, todo abespinhado, mandou-me uma mensagem em que se insurge por eu ter escrito, no post sobre a Zara e o Beurger King Muslim, «profeta Maomé». Queria que eu tivesse escrito «profeta» com maiúscula — Profeta Maomé. E porquê, pergunto eu? Mais profetas tem o cristianismo — Daniel, Elias, Ezequiel, Isaías, Jeremias, Ageu, Amós, Habacuque, Joel, Jonas, Malaquias, Miqueias, Naum, Obadias, Oseias, Simeão, Sofonias, Zacarias… — e todos, maiores ou menores, são «profetas». Tomemos o pobre Obadias, o quarto dos doze profetas menores judeus: mesmo que o nome dele tenha a variante Abdias, e por isso valha por dois profetas, ou por um maior, vá lá, nunca vi escrito «Profeta Obadias». Também não aceito que se escreva «o Profeta». Como se Maomé fosse o profeta por antonomásia. Faz-me lembrar textos em que se fala sobre o Partido Comunista: aparece sempre «o Partido». Porquê? Ou escrevemos «o Partido Comunista» ou «o partido», se esta última palavra surge isolada.
      Vejam lá, agora não confundam o Assim Mesmo com o Jyllands-Posten.

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3 comentários:

Anónimo disse...

Fez-me sorrir a associação de *o Partido* a *o Profeta*. Fundamentalismos e usos capião :)

Helena Velho disse...

Nunca se sabe! O Mundo(em maiúsculas para sobressair do(s) outro(s) mundo(s)) é tão complexo( e complexado) que já não me admiraria se começasse a receber mensagens a rotulá-lo de anti...!

Helder Guégués disse...

Espero que não aconteça nada disso.

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