Léxico: «escumadeira»


Na cozinha

Anteontem, Martine Rousseau e Olivier Houdart, revisores do Le Monde, andavam às voltas com a origem do nome em francês do utensílio de cozinha que se vê em cima. Mas meteram os pés pelas mãos, porque o nome que estavam a atribuir a este utensílio — maryse — pertence de facto ao raspador de massa entre nós chamado salazar, de que já aqui tratei. Em francês não sei, mas em português o que temos acima é, seguindo de perto a definição do Dicionário Houaiss, uma escumadeira, um utensílio, geralmente de metal, mas modernamente também de plástico, formado por uma concha muito rasa com furos, presa a um cabo longo, usada para retirar a espuma que se forma durante a preparação de alguns produtos, como o açúcar refinado, a aguardente de cana, etc., e daí o nome, ou para retirar algo de um líquido quente, como pastéis, bolinhos fritos em óleo, etc.
Mas pensemos: depois de sabermos que maryse é uma marca registada (nom déposé, em francês), e, logo, um vocábulo com a mesma evolução semântica do vocábulo «gilete», por exemplo, que interesse tem aprofundar?
Com caixas de comentários multitudinárias, os disparates não faltam. Uma leitora aventa a hipótese de a designação ser a amálgama dos nomes Marie, Lise e Louise. Sim, e depois? Serão as três filhas do Sr. De Buyer, o empresário que registou um produto com essa designação? As suas três irmãs solteironas? As três amantes? Há leitores aparvalhados em todo o lado, isso sim.

edit

2 comentários:

Anónimo disse...

Ou serão as três mulheres do sabonete Araxá que "me buleversam, me hipnotisam", as três "brancaranas azedas, mulatas cor de lua"?

Helder Guégués disse...

Quem sabe.

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