Pronúncia: arguido
27.1.06
Liberdades poéticas
Perguntaram-me ontem como se deve pronunciar a palavra «arguido». Quem me perguntou afirmou ter ouvido Manuel Alegre, durante a campanha eleitoral, pronunciá-la como se não tivesse aquele u. Contudo, o correcto é pronunciar o u, o que se pode ver pelo facto de na variante brasileira do português se grafar com trema: argüido. Trata-se, é bem verdade, de uma excepção, a par de outras, como aguentar, cinquenta, equestre, frequência, frequentar, sequência, etc., à regra de não pronunciar o u quando a este se segue um e ou um i. No acordo ortográfico ainda em vigor, o de 1945, na sua Base XXVII, o trema foi, infelizmente, abolido. «O trema, sinal de diérese, é inteiramente suprimido em palavras portuguesas ou aportuguesadas.» E, a confundir Manuel Alegre, acrescenta o acordo: «Nem sequer se emprega na poesia.» Verdade seja dita que na Faculdade de Direito de Lisboa, onde se usa milhares de vezes, também ouvia, espantado, o Prof. Doutor Pedro Romano Martínez, e outros de que agora não me recordo, pronunciar esta palavra erradamente. «Ex ore tuo te judico», ou em tradução livre e recorrendo a um provérbio, pela boca morre o peixe.
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