Abuso de estrangeirismos
13.4.09

Mostras de cosmopolitismo
Cake Parade, em Portalegre? Deve ser para competir com as Gay Parades por esse mundo fora. Só pergunto se não arranjavam um nome português para esta iniciativa, uma mostra de arte pública, integrada na IX Feira da Doçaria Conventual de Portalegre, a decorrer no Mosteiro de S. Bernardo, em Portalegre, de 24 a 26 de Abril. Calma, não se abespinhem! É verdade: já me esquecia de algo mais parecido e igualmente digno: a Cow Parade. Os organizadores, próvidos e cosmopolitas, devem ter pensado que seria menos artístico ter um nome português e, sobretudo, que nem toda a gente perceberia se estivesse escrito nesta língua assaz obscura.
Cake Parade, em Portalegre? Deve ser para competir com as Gay Parades por esse mundo fora. Só pergunto se não arranjavam um nome português para esta iniciativa, uma mostra de arte pública, integrada na IX Feira da Doçaria Conventual de Portalegre, a decorrer no Mosteiro de S. Bernardo, em Portalegre, de 24 a 26 de Abril. Calma, não se abespinhem! É verdade: já me esquecia de algo mais parecido e igualmente digno: a Cow Parade. Os organizadores, próvidos e cosmopolitas, devem ter pensado que seria menos artístico ter um nome português e, sobretudo, que nem toda a gente perceberia se estivesse escrito nesta língua assaz obscura.
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2 comentários:
Em suma, na sua opinião, porque é uma iniciativa de cariz artístico, fica-lhe bem o chamadoiro inglês. Será para restituir o elitismo à arte? Torna as obras mais artísticas? Aproxima-as da compreensão do público?
Penso que a arte não deve ter carácter elitista, antes pelo contrário; deve ser de livre acesso a todos, pois desta forma está-se a contribuir para o enriquecimento cultural e artístico do Ser Humano.
O facto de ter sido atribuído um nome em inglês ao evento não lhe trará certamente uma maior compreensão por parte do público, até porque a obra deve valer por ela mesmo, sem artifícios nem molduras mais ou menos rebuscadas que mascarem a própria obra. O mesmo se passa quanto à explicação do significado dessa mesma obra, por parte do seu criador em relação ao seu público. A eventual explicação da intenção do artista, ao criar determinada obra, poderá cortar a possibilidade de múltiplas interpretações e consequentemente inúmeras reinvenções/criações, por parte do público. Dever-se-á portanto deixar que a capacidade criativa do espectador flua, sem interferências com explicações. Entrando-se assim na teoria da Obra Aberta, iniciada nos anos 70, cuja filosofia nos diz que a obra não morre na altura em que o seu autor a dá por concluida. A obra reinventa-se, é recriada por cada um de nós, contribuindo para o vasto leque de interpretações, os aspectos culturais, vivenciais, ou até mesmo o estado de espírito do momento em que interpretamos essa obra.
E tudo isto para dizer que em inglês, em português, ou num outro idioma ainda por inventar, a essência da arte está na própria obra e não nos artifícios linguísticos.
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